SABADO, MAIO 6, 2017

Eurico Salis fez a entrega de 300 exemplares do livro Rio Grande do Sul Homens e Máquinas ao Instituto do Câncer Infantill-RS. Toda a renda da venda obtida destes exemplares será convertida em benefício do Instituto do Cancer Infantil, que faz um trabalho maravilhoso em prol de crianças e famílias carentes e que convivêm com esta grave doença. Na oportunidade da entrega dos livros, o fotógrafo recebeu das mãos do Diretor do ICI-RS, Dr. Algemir Lunardi Brunetto uma homenagem, um cartão de agradecimento pela doação dos livros, que representará renda em torno de R$ 45 mil reais a entidade.
Crédito das imagens: João Mattos/Divulgação

DOMINGO, ABRIL 30, 2017

Matérias publicadas em jornais locais sobre o livro  Homens e Máquinas.

Contra capa ZHJornal Metro

 

 

DOMINGO, ABRIL 30, 2017

 

Renato Lemos Dalto nasceu em Santana do Livramento, na fronteira do Estado.

Jornalista, escritor e roteirista,  ele trabalhou para Gazeta Mercantil, Diário do Sul, Jornal do Brasil,

e colaborou com várias revistas brasileiras.

Renato é um dos autores do livro Missões Jesuítico-Guaranos. Em 2007, escreveu o livro Aparados da Serra – Na trilha doPadre Rambo

e  “Freio de Ouro – Uma história a cavalo", a qual virou documentário em video. Para a TV Educativa –RS, desenvolveu a série Sul Sem

Fronteiras, a qual abordou as heranças históricas do Rio Grande do Sul. Em 2013, ao lado do fotógrafo Eurico Salis, percorreu o Estado, para

escrever para o livro  “Rio Grande do Sul – O Solo e o Homem”. Em 2015, participou do projeto "A Força da Terra", que resultou em livro e

exposição fotográfica mostrando a vida de pequenos trabalhadores rurais do sul do Brasil.

Renato Dalto escreveu os textos de Homens e Máquinas.

 

" Homens e máquinas, num único gesto, forjam a si mesmos.

E quando o coração bate ou chispa a faísca, a vida se transforma."  ( Renato Dalto )

Compartilhe aqui: http://euricosalis.com.br/blog/

DOMINGO, ABRIL 30, 2017

Theatro São Pedro mais uma vez foi palco para o lançamento de livro do fotógrafo Eurico Salis. Da mesma forma como ocorreu com O Solo e o Homem,o segundo livro da trilogia que documenta a vida no Rio Grande do Sul,  o Foyer do teatro recebeu na noite de 18 de Abril,  grande número de autoridadeimprensa, patrocinadores e convidados que participaram da sessão de autógrafos e coquetel de lançamento de Homens e Máquinas.

 

DOMINGO, ABRIL 30, 2017

O projeto cultural Rio Grande do Sul - Homens e Máquianas contou com o financiamento da Lei Federal de Incentivo a Cultura - Lei Rouanet. Foram 14 empresas  apoiadoras que através do patrocínio de recursos, possibilitaram  a realização deste livro num momento tão delicado de nossa economia. Agradeço aos parceiros a confiança depositada em nosso projeto: Celulose Riograndense ( patrocinador master), Banrisul, Corsan, Planalto Transportes, Rio Grande Seguros, Ipiranga, Dana, Randon, Aeromóvel, EGR Empresa Gaúcha  de Rodovias, Fiergs, Irga, Zaf e Unifértil. E o apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em especial a  Carlos Búrigo (Secretário de Estado) e Cléber Benvegnú (Secretário de Comunicação). Também a Braskem, que irá se integrar ao projeto em uma segunda etapa a ser realizada ainda este ano.

 

 

SEXTA-FEIRA, ABRIL 28, 2017

Gustavo Demarchi foi responsável pela criação do projeto gráfico de Homens e Máquinas

Designer graduado pela Uniritter. Mestre em design pela UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul e atualmente Doutorando em Design pela mesma instituição. Atua ativamente no mercado editorial e cultural gaúcho desde 1998. Do período em que residiu em Nova York adquiriu a paixão pelo design e programação visual. Desde então acumula em seu currículo a criação e desenvolvimento de mais de 500 capas de livro para diversas editoras. Teve passagens ou desenvolveu trabalhos como projetista gráfico e diagramador nos principais jornais de Porto Alegre. Tem vasta experiência em projetos com ênfase em Comunicação Visual, atuando principalmente nos seguintes temas: editorial, diagramação, identidade visual, modelagem 3D, criação web site, html, php, Apps Android e todo o tipo de comunicação visual. Em 2012, seu projeto de pesquisa sobre capas de disco, gerou a palestra "A história das capas de disco", apresentada como parte da programação do Set Universitário da FAMECOS - PUC/RS e FACCAT. Desde 2015, é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nas disciplinas de Prática Integrada da Criação, Estudos Tipográficos e Computação Gráfica I e II. É também Professor da Uniritter nos cursos de Pós Graduação de Criação e Produção de Conteúdos Digitais e Design UX. Além disso, ministra uma série de cursos de Ferramentas 2D e 3D. Juntamente com seu irmão Gabriel ainda ministra a oficina "Desenvolvimento de Projetos Visuais para Livros".

Saiba mais sobre o Gustavo em www.g2dvisual.com.br

QUINTA-FEIRA, MARÇO 16, 2017

Segundo livro da trilogia Rio Grande do Sul, Homens e Máquinas será lançado dia 18 de Abril, em Porto Alegre

DOMINGO, AGOSTO 14, 2016

Programa Faces foi ao ar dia 02/08/2016. Confira a íntegra da entervista.

Clique aqui: Faces com Eurico Salis - TVE

QUARTA-FEIRA, ABRIL 6, 2016

SEXTA-FEIRA, MARÇO 11, 2016

Click para ler - Click to view

 

TERÇA-FEIRA, MARÇO 8, 2016

Matérias divulgando abertura da Exposição Califórnia publicadas nos dois principais jornais de Porto Alegre

TERÇA-FEIRA, MARÇO 8, 2016

Abertura da Exposição Fotográfica Califórnia, hoje as 19,30hs. Salas Negras do Margs.

Período de visitação de 09 de março a 03 de abril 2016.

DOMINGO, NOVEMBRO 15, 2015

A convite da Apex Brasil ( Ministério do Desenvolvimento) e ABPA ( Associação Brasileira de Suinocultura e Avicultura), realizei a exposição de fotografias "The Power of the Land", com imagens publicadas no livro "A Força da Terra". A mostra foi inaugurada dia 19 de agosto, no Pavilhão do Brasil, na Expo Milano 2015. Dividi o espaço com o fotógrafo Manoel Petry, também responsável pelo projeto gráfico do livro e pelo site oficial do projeto. Depois de Milão, a exposição será levada para ser exibida na sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas, durante o primeiro semestre de 2016. Todas as imagens em exposição foram ampliadas em papel fotográfico, em Milão, no tamanho  1metroX1,5metro.

 

 

QUINTA-FEIRA, NOVEMBRO 5, 2015

A Força da Terra.

A obra apresenta diversas imagens captadas por Eurico Salis e Manoel Petry em uma jornada de quatro meses pelo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.  Os textos de Renato Dalto, apresentados em  português/inglês revelam com sensibilidade o dia-a-dia de pequenos produtores do setor da avicultura e suinocultura brasileira. O livro de capa dura, com 144 páginas foi apresentado  durante o Salão  Siavs2015, no Parque Anhembi, em São Paulo, e lançado oficialmente  com o título 'The Power of the Land", em 19 de agosto, no Pavilhão Brasil, na ExpoMilano2015, em Milão, Itália.

QUINTA-FEIRA, NOVEMBRO 5, 2015

Matéria publicada na revista Fhox de setembro/2015,  assinada pela jornalista Regina Sinibaldi, mostra a exposição de fotografias "A Força da Terra",  inaugurada em dia 19 de agosto, ocorreu  no pavilhão do Brasil,  em Milão, Itália. A mostra reuniu fotografias de minha autoria e de Manoel Petry publicadas no livro "The Power of the Land".  Com textos de Renato Dalto,  patrocínio de ABPA e Apex Brasil, o livro mostra o dia-a-dia de produtores ligados a avicultura e suinocultura brasileira. O evento em Milão, contou com a presença do vice presidente da ABPA, Ricardo Santin, Christine Garcia-Concheso diretora da ApexBrasil, entre outros convidados. Depois de Milão, a exposição "A Força da Terra" será montada na sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

 





SEXTA-FEIRA, JULHO 18, 2014

Fui selecionado pela revista Black &White Magazine ( edição 104)  para ter meu trabalho publicado na edição especial "2014 Portfolio Contest",  com o  Excellence Award. Foram publicadas 06 (seis) fotografias de minha autoria, nas páginas 68,69, 70 e 71.  Todos os anos, a B&W Magazine recebe portfólios de fotógrafos de todas as partes do mundo,  e após minunciosa avaliação, publica a seleção anual com o que eles consideram os trabalhos mais relevantes daquele ano.  Em 2014, foram 648 portfólios recebidos, mais de 7,000 imagens avaliadas e 15 fotógrafos selecionados com o Excellence Award. Fiquei entre os 15.  A B&W Magazine, tradicional revista americana,  é uma das mais importantes publicações dedicada a fine art photography, em circulação nos Estados Unidos e no resto do mundo.

DOMINGO, MAIO 18, 2014

Ontem a noite estava jantando com amigos  na casa da Lilian, brasileira radicada há 30 anos aqui na Califórnia. Entre os presentes, Saulo Filho, professor da UnB, graduado com doutorado na Alemanha, atualmente fazendo pós doutorado em meio ambiente, aqui na Universidade da California, Carlos Motta, designer e arquiteto paulista, 62 anos, surfista convicto, entre amigos brasileiros e americanos. O assunto era: amar ou não amar o Brasil. Todos concordavam no essencial: o amor ao Brasil. Então lembrei a resposta de Tom Jobim comparando Nova York ao Rio de Janeiro  “Nova York é bom, mas uma merda; o Rio é uma merda, mas é bom".  Como o Brasil, hoje. Bom mas ruim.  Outro dia postei aqui uma frase singela e verdadeira, refletia o meu sentimento de retirante, depois de um ano fora: saudade do Brasil. Saudade, aquele sentimento de quem ama alguma coisa, aquele sentimento de falta de alguma coisa,  aquele sentimento de quem perdeu alguma coisa. No meu caso, tudo isto está junto num mesmo sentimento. Nunca fui daqueles brasileiros que logo que chegam no exterior manifestam seu desprezo pelo Brasil, nunca gostei de fazer comparações entre países incomparáveis. O contrario disso. Minha percepção da grandeza do Brasil, da criatividade de seu povo, da rica cultura, das artes e da música encantadora, de suas enormes potencialidades ficam mais aguçadas quando vou para outro pais. Principalmente  a Califórnia, minha segunda nação, minha segunda casa. Embora perceba as qualidades do Brasil, as inúmeras qualidades dos brasileiros, vejo também o caos crescente, as dificuldades intransponíveis fortalecidas, as velhas formas de poder mantidas, a tensão radicalizada nas redes sociais entre governistas e opositores, a ausência de racionalidade para avaliar a política, e a escandalosa falta de soliedariedade, inclusive nas manifestações de intelectuais presos a velhas ideologias mofadas. Lembro do poeta Cazuza, sempre libertário, sempre independente destas ideologias atrasadas cantando “ tua piscina esta cheia de ratos, tuas idéias não correspondem aos fatos…”. Fico triste em ver gente triste por que outros estão tristes com os rumos do Brasil. Neste momento acho o Brasil uma merda. Uma merda porque alguns poucos intelectuais buscam enxergar a realidade impregnados por um sentimento nacionalista reacionário, comprometidos com partidos mais do que com o Brasil, tentando reascender antigos chavões, como aquele  “Brasil, ame-o, ou deixe-o”, como se isto fosse um filme na sessão vale a pena ver de novo. “Brasil, ame-o ou deixe-o, O retorno”.  Eu amo meu país, e ponho o Brasil acima de qualquer partido político. Mesmo que a piscina esteja cheia de ratos, e a realidade não corresponda ao fatos. Agora, volto para o Brasil com um projeto na cabeça,  e muita brasilidade na mira.

DOMINGO, MAIO 4, 2014

Hoje pela manhã estava caminhando à beira da praia, observando a paisagem ensolarada da costa da Califórnia, e as legiões de pelicanos que sobrevoavam o imenso mar azul a procura de alimento. Os pelicanos precisam mergulhar profundamente para pescar seu aliemento. Eu também. Estava caminhando e acabei mergulhando na canção do Black Sabbath, que ouvia no headphone.  A letra da canção "Sabbath Bloody Sabbath" escrita por  Ozzy Osbourne  diz ‘“You've seen life through distorted eyes. You know you had to learn. The execution of your mind. You really had to turn. The race is run the book is read. The end begins to show. The truth is out, the lies are old. But you don’t want to know”. Algo como você vê as coias de maneira distorcida, tem que ver de outro lado, mas não quer enxergar, etc. Então lembrei do Daniel Alvez e da campanha “Eu não sou macaco”. E de uma entrevista que o guitarrista Tommi Iommi concedeu a Rick Wakeman, num programa semanal da TV BBC, de Londres. Lá pelas tantas, Tommi disse “não sou macaco”, e aí embolou o meio campo. Explicou que não tinha o costume de pular e fazer poses de macaco em palco como outros guitarristas do hard rock. Revelou que as letras das músicas do Black Sabbath falam de um mundo macabro, repleto de mortos, mas que a verdadeira mensagem é outra, é reverenciar a vida. Disse que falam de uma coisa para mostrar o outro lado desta coisa. Como Daniel Alvez, quando comeu a banana atirada por um torcedor irracional, num ato de racismo ridículo que ainda acontecem nos estádios. Ontem, ouvi o jogador Daniel Alves dizer numa entrevista que seu ato em comer a banana jogada não foi planejado, e que significava dizer ‘eu não sou macaco”. Com  isto queria ridicularizar o racismo, e claro, o  torcedor que jogou a banana. Mas  que não gosta da campanha que se formou nas redes sociais, porque nela as pessoas valorizam a figura dele como vítima.  Assim como Ozzy Osbourne e Tommi Iommi, Daniel Alvez reforça que a verdadeira mensagem é aquela que está do outro lado. Não quer reforçar a idéia que de que é vítima, mas  protagonista de sua história. Gostei da declaração do Daniel Alvez. Eu também não gosto destas campanhas que valorizam a idéia de vítima de quem é agredido. Quem deve ser fragilizado é o agressor, e não o agredido.  Eu não sou macaco e não vou postar foto de bananas na rede social da web. Eu penso e faço parte de uma raça em evolução. Ainda que alguns desta raça não tenham percebido onde estão as verdadeiras diferenças entre nós.

SABADO, MAIO 3, 2014

Há muitos anos atrás, fui visitar um agente de fotografias, em Milão, estava apresentando a ele meu portfolio. O ano foi 1989 e a agência era Tony Stone. Lembro que conversamos um pouco sobre fotografia em geral e o agente me disse " uma fotografia isolada não revela um fotógrafo. O que faz um fotógrafo não é uma bela foto, mas o conjunto de seu trabalho". Durante os dias seguintes fiquei pensando sobre nossa conversa e acabei incorporando esta afirmação as minhas convicções. Por isto, já algum tempo prefiro ver o conjunto da obra a uma foto isolada, de alguém. Talvez por este motivo também, tenho resistência a  apreciar fotografias de silueta em finais de tarde. Eu mesmo, quando utilizo este recurso, tenho cuidado para não fazer disto um truque, mas parte de uma narrativa. Tenho utilizado este recurso cada vez menos. Não gosto de truques em fotografia. Porém, vejo muitos truques atualmente. Não gosto. Sou de um tempo em que a narrativa é parte na construção de uma imagem. E sou de um tempo em que a renovação é parte de uma trajetória. Hoje, parece, existem muitos mágicos, poucos fotógrafos. Muitas armadilhas, pouca identidade. Vejo muita gente fazendo armadilhas com o seu olhar na tentativa de conquistar o olhar alheio, e depois  ávidos, correm para publicar suas fotos "artísticas" nas redes sociais. Está aí o Facebook para confirmar isto. Estes "fotógrafos" correm em busca de um angulo diferente como se fosse um truque mágico. Um angulo é parte de uma narrativa, seja ela poética ou não. Um angulo novo ou diferente nunca deveria ser tirado da cartola, e sim parte da convicção de como os conceitos básicos  se organizam dentro de uma imagem, a organização harmônica entre luz, textura, perspectiva, planos, etc. Além disto, o uso abusivo de hdr, filtros e o tal instagram (com letra minúscula) são desvios do olhar,  quando mal utilizados  não agregam conteúdo a imagem. Não sou contra a utilização de hdr, de filtros e de um exaustivo tratamento através de programas específicos, mas isto deve seguir certos requisitos. O primeiro deles é saber o limite. Depois, saber que todo o tratamento de imagens, mesmo aqueles que alteram profundamente a imagem original, com apoio de hdr, devem servir como instrumento de uma narrativa individual, e como tal parte de sua identidade. Daí a fotografia deveria ser sempre um depoimento autoral, único, comprometido, a expressão individual de quem produziu a imagem. Daí a importância de entender a linguagem fotográfica, e desenvolver sua própria linguagem. Sempre existe um diálogo inerente em cada fotografia, em cada narrativa.  A construção desta linguagem fotográfica pessoal e autêntica representa a própria identidade do autor, do fotógrafo.

DOMINGO, ABRIL 20, 2014

Em 2007, John Maloof um jovem agente imobiliário de Chicago comprou num leilão do bairro onde morava, várias peças descartáveis e miscelânias em caixas com a intenção de conhecer melhor a sua vizinhança. Desapontado por não ter adquirido nada de útil ao seu projeto, Maloof  acabou por tropeçar numa das maiores descobertas fotográficas do  século XX: o arquivo de Vivian Maier. O arquivo encontrado por Maloof reunia milhares de fotos de rua, centenas de recortes de jornais, filmes, e muitos negativos não revelados.  Intrigado por sua descoberta, John Maloof tratou de conhecer melhor o conteúdo das caixas. Começou então a organizar o acervo que continha mais de 100 mil imagens, revelou centenas de filmes em formato 35mm e 120mm, e ampliou dezenas de fotografias. As imagens que vieram  surpreenderam o jovem agente imobiliário por tanta qualidade, dignas dos  mestres da fotografia.  Maloof percebendo que tinha nas mãos um rico material  começou então a investigar a vida de  Vivan Maier, quem era, o que fazia, suas origens, em fim, pistas sobre a biografia da fotógrafa desconhecida até então. Descobriu que tratava-se de uma americana nascida em Nova York , em 1926,  e que tinha sido babá de crianças. Muito pouco se sabia sobre os detalhes da vida de Maier. John Maloof, tratou de procurar especialistas em museus e galerias, e depois de algum tempo, conseguiu organizar uma exposição de fotos de Vivan Maier, e assim achamou a atenção da mídia de Chicago, e atraiu milhares de visitantes para ver as fotos da desconhecida babá.  A seguir,  John Maloof arrumou grana e começou a produzir um documentário,  chamado  “Finding Vivian Maier”, o qual teve estréia este mês aqui nos Estados Unidos. Vi esta semana o filme, o qual mostra depoimentos de (ex) crianças, hoje adultos,  falando sobre a vida daquela misteriosa  mulher que colecionava milhares de recortes de jornais com manchetes sobre crimes e assassinatos passionais,  algumas cartas escritas em francês, e outras bugigangas. Vivian Maier era estranha, foi autodidata, filha de imigrantes franceses, morou com a familia em uma pequena vila no interior da França, falava com sotaque, e assim confundia o as pessoas ao seu redor,  não gostava de revelar seu nome real, mantinha uma vida restrita, muito  reservada,  tratava as crianças que cuidava com muita energia, as vezes com rigidez.  Entretanto, segundo o depoimento do fotógrafo Joel Mayerowitz, a distância com que Vivian tratava a todos era a distância que mantinha dos personagens fotografados por ela, ainda assim ela conseguiu captar com genialidade o perfil de cada um,  o drama existencial de seus personagens. Vivian viajou pelo mundo, foi ao Brasil, e fez milhares de retratos tendo inclusive expressado suas preocupações e proximidade com as desigualdades sociais. Vivian Maier morreu em 21 de abril de 2009,pobre e solitária,  atualmente é colocada no mesmo patamar dos maiores nomes da fotografia do século XX, ao lado de Dianne Arbus,  Henry Cartier-Bresson,  Irvin Penn, Walker Evans,  Man Ray, e outros. Hoje, sua obra é reconhecida em todos os grande museus dos Estados Unidos e Europa, e suas fotos passaram a ter valor inestimável. O documentário “Finding Vivian Maier” de John Maloof, o agente imobiliário que virou cineasta  foi um dos filmes selecionados no festival Sundance de 2013.  Vale a pena descobrir a obra de Vivian Maier, e do próprio John Maloof que revelou ao mundo um dos maiores nomes da fotografia do século XX.

TERÇA-FEIRA, ABRIL 8, 2014

Perdi a carteira no caminho de Yosemite. Aconteceu no final de março. Parei para abastecer num posto de combustível na pequena cidade de Los Banos, logo depois de Hollister. A pressa me fez esquecer a carteira contendo todos meus documentos, deixei em cima do carro e parti. Cheguei ao Yosemite National Park depois de 40 anos, sem identidade, carteira ou cartão de crédito. Conheci o Yosemite no início dos anos 80, através das fotografias de Ansel Adams. Desde então, estes dois ícones californianos, Ansel Adams e Yosemite, passaram a fazer parte da minha vida. Não sou especialista na fotografia de Ansel Adams, muito menos sobre o Yosemite,  porém conheço o suficiente de ambos para dizer que são duas grandes referências no mundo da fotografia de natureza.  O Yosemite National Park, localizado na Sierra Nevada da Califórnia com mais de 1200 milhas quadradas, área superior a muitos estados americanos, foi criado há 150 anos, durante o governo de Abraham Lincoln. O parque foi idealizado pelo famoso ambientalista Jonh Muir. Ele fundou, no início do século XX, o Sierra Club, uma espécie de associação de proteção ao meio ambiente de Yosemite. Anos depois, Ansel Adams ingressou no Sierra Club, chegou a assumir um posto na direção da associação. O velho Adams fotografou como ninguém o Yosemite e  montou  ali seu laboratório fotográfico, onde atualmente funciona  Ansel Adams Art Gallery. Dias atrás, quando estive lá, tive o prazer de entregar a Kate DeWaard, gerente da galeria, um exemplar do meu livro Rio Grande do Sul O Solo e o Homem, o qual passará a integrar os arquivos da Ansel Adams Art Gallery. O parque Yosemite é um dos locais mais visitados na Califórnia, recebe anualmente mais de 3 milhões e meio de turistas,  os quais se submetem a desfrutar dos passeios sob rígidas regras de preservação. Existem vários locais para fazer camping, estradas asfaltadas, linhas de ônibus, um posto dos correios, um pequeno shopping de compras, restaurantes e hotéis. Um deles chama-se hotel Ahwahnee (pronuncia-se auãni a tribo indígena nativa daquela região), fica localizado no Yosemite Village, e tem arquitetura imponente, lugar de visitação obrigatória.  Praticamente, a  área de visitação e passeios, se estende por 30 milhas,  desde o portão de entrada,  no lado oeste, ou El Portal,  até o Yosemite Village, aos pés das montanhas El Captain e Half Dome. Nesta área você poderá ver sequóias gigantes e árvores centenárias, lagos, o rio Merced com suas águas transparentes de onde se vêem peixes, pontes de pedra, aves de rapina, ursos, esquilos, veados, cachoeiras, córregos e pedras em quantidade. O cenário é cercado por montanhas gigantes, e quedas d'água, ali estão as cachoeiras Bridge Veill, Yosemite Falls. Lugar quase indescritível, onde reina o espírito de tranquilidade proporcionado pelo encontro com a natureza exuberante. Para quem, como eu, esperou décadas até chegar ao Yosemite, a perda da identidade foi quase desprezível perto da sensação de ter produzido ali imagens tão sonhadas durante gerações. Fui abençoado por algum ancestral da tribo Ahwahnee, um velho cacique  imagino, que me proporcionou durante uma semana o que a natureza generosa pode oferecer de melhor: a  luz transparente e o céu azul, a chuva forte e as nuvens densas, a neve forte e brilhante. Não encontrei minha carteira, mas recuperei a identidade no caminho de Yosemite.

(c)Eurico Salis 2014. Tunel View, Yosemite Park, CA.

SEXTA-FEIRA, FEVEREIRO 14, 2014

Quem for viajar nos aviões da Gol,  neste mês de fevereiro irá encontrar  a matéria "Bah!", nove páginas reunindo fotos do livro Rio Grande do Sul O Solo e o Homem. Bem bacana.

 

DOMINGO, JANEIRO 12, 2014

O ano era 1976. Cláudio e Roberto Almeida estavam envolvidos na criação do jornal O Toque.  Marcello Beltrand e eu fomos convidados a participar do projeto. Sugerimos chamar o Cyro Martins para ajudar na redação, e o Walmore Not para escrever crônicas, eventualmente. O Pedro Wayne já estava no time. A redação do jornal ficava ali na Avenida Sete, (fundos) na  garagem cedida pelo doutor Rubem Almeida. Nós tínhamos então 17 anos, exceto o Pedro, nosso redator senior.  Entre as minhas atribuições constava escrever – bem ou mal, críticas musicais, o que se resumia em comentar lançamentos de discos. Mantive contato com as gravadoras, e elas entregavam, quinzenalmente, pacotes com todas as novidades do mercado de discos. Num destes pacotes veio o álbum Songs In The key of Life, de Stevie Wonder. Um dos discos mais importantes da minha vida em 1976, e em todos os anos seguintes. Songs in the Key of Life foi um álbum revolucionário, precursor de muitos estilos. Ganhou o prêmio máximo da industria da música, o Grammy Award de melhor disco do ano. Stevie Wonder, que andava de saco cheio da política externa do governo americano, havia ido viver em Ghana, país africano muito pobre. Lá, desenvolveu um trabalho assistencial com crianças portadoras de deficiência física. O que serviu de inspiração para o cantor e compositor produzir seu melhor disco, fechando assim, um ciclo virtuoso em sua carreira. Várias músicas deste álbum duplo chegaram ao top das paradas no mundo todo, como “Isn’t She Lovely”, “As”, “I Wish”, “Ngiculela - És una Historia”. O sucesso foi tamanho que ainda hoje o disco figura entre os 100 álbuns mais importantes da história, segundo a revista Bilboard.  O jornal O Toque teve vida curta, era totalmente produzido em Bagé, e impresso em Porto Alegre. Chegou a figurar na lista dos melhores da imprensa nanica do Brasil, ao lado de O Pasquim, Movimento, e Coojornal. Jornais da imprensa nanica eram todos contra a ditadura militar, da primeira a última página. O Toque não fugiu a regra. Tudo era improvisado na redação. Para escrever, tive que pedir emprestado ao doutor Rubens Audino sua máquina Olivetti, novinha em folha. Sorte a dele que o jornal durou poucos meses, e a máquina foi devolvida intacta. Cláudio Almeida era o editor do jornal, ao mesmo tempo fazia traduções de longas entrevistas com intelectuais, de Bob Dylan a Sartre, que eram publicadas na Rolling Stone americana, e depois eram (re) publicadas no Toque; Pedro escrevia sobre literatura;  Roberto criava cartuns; Marcello e Ciro escreviam de tudo um pouco. Passávamos o tempo discutindo novas pautas, imaginando matérias bombásticas as quais nunca foram publicadas, e contando piadas...muitas piadas. Não havia internet, nem email, nem rede social, mas compartilhamos  momentos inesquecíveis, na naquela redação. Foi uma experiência enriquecedora na vida de todos que estiveram lá. Se não engordou nossa conta bancária, foi por um detalhe. Merecíamos ter erguido um império jornalístico tão poderoso quanto de Rupert Murdoch, ou Ted Tunner, pela clareza de intenções que nos movia a fazer o jornal.  Se não ganhos dinheiro, construímos amizades sólidas. De sobra, ganhamos histórias para serem lembradas de um tempo de criatividade,  imaginação e sonhos. Desejo que aos leitores que o novo anos traga boas aventuras como aquelas de 1976. E traga também bons discos,  como Songs in the Key of Life!

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DOMINGO, DEZEMBRO 8, 2013

Na minha cidade, Porto Alegre, ainda se confunde livro de fotografia fine art com guia turístico. Embora estes dois tipos de publicações contenham fotografias, elas estão em  campos  muito distantes. Ainda que ambas possam estar abrigadas sob o signo da fotografia documental, são como água para o vinho.  Em Porto Alegre se confunde também livro de fotografia fine art com folder, o que é grave. E não me refiro a folder publicitário, que é outra coisa. Me refiro a livros que se passam por livro de arte quando na realidade não passam de um tipo de folder comercial. Necessário seria distinguir uma coisa da outra, para se compreender melhor cada forma de publicação, cada forma de fazer fotografia. Ou seja, entender o que é fotografia fine art, fotografias produzidas para um guia turístico, e fotografias  publicadas em folder comercial. Por exemplo, um livro que mostra explicitamente imagens do seu patrocinador é um folder. Mesmo que este folder tenha sido publicado com capa dura, numa edição de luxo, etc. Ainda assim é um folder pois busca o apelo comercial em detrimento do poético. Outro caso é o da publicação que traz fotos de lugares, serviços, hotéis, bares, restaurantes, praças e serve aos propósitos da divulgação da cidade. As publicações que citei, o folder e o guia turístico mesmo que contenham  fotos bonitas, não servem como referência de fotografia fine art.  Para isto, trago o exemplo do fotógrafo Sebastião Salgado, que trata os  temas em seus livros com uma visão própria, com sua linguagem de autor. Salgado não está interessado em divulgar os lugares por ando passa e registra em suas fotos, e também não mostra produtos e marcas de patrocinadores. Poderia citar outros fotógrafos de fine art, Araquém Alcântara, Zé Paiva, Cristiano Mascaro. Já vi folder ser tratado como livro de arte, em Porto Alegre. Já vi livros que registravam sem pudor imagens dos patrocinadores, ser tratado pela m;iria como livro de arte. Mas também é interessante notar que esta confusão tem origem nos autores das publicações. No momento de divulgar o livro, alguns autores   se utilizam desta confusão,  como estratégia de marketing visando agregar valor ao "produto", e assim ganhar o reconhecimento  junto ao público e formadores de opinião. A mídia especializada em cultura que deveria tratar de separar as coisas, de discernir,  e informar melhor o público, aprofunda mais a confusão, trata tudo como coisas iguais. Não são iguais, são propósitos diferentes com linguagens diferentes também.  A confusão ajuda alguns a ampliarem  adesão de patrocinadores. Ora, cada categoria tem seus méritos e não concorrem entre si, embora isto ainda não foi entendido em nossa Porto Alegre. Seria bom que cada um assumisse seu papel no mercado editorial de livros de fotografia. Sem desmerecer qualquer  publicação,  sem desmerecer meus colegas fotógrafos, tenho a convicção  que é  hora de se discutir esta confusão. Já amadurecemos o bastante para seguir tratando livros de fotografia de categorias tão diferentes de forma tão iguais. O debate é bom para todos, para o bem da fotografia documental, fine art, foto fotojornalismo, fotografias de guias turísticos. Até mesmo para quem faz folder de grande formato como se fosse livro de fine art. Mesmo que este folder seja para divulgar Gramado,  ou para divulgar o turismo de nossa cidade.  Ora, fine art se apoia na noção de uma  fotografia de autor, que faz uso de fundamentos como, textura, profundidade de foco, valorização das sombras e luz, enquadramento e perspectivas, sem cair nas armadilhas dos propósitos utilitários ou decorativos. Em fim, é bom para a fotografia separar as coisas,é bom para os fotógrafos não verem seus trabalhos misturados no mesmo saco.

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QUINTA-FEIRA, NOVEMBRO 28, 2013

Agora sou orgânico. Depois que voltei para Califórnia me tornei orgânico convicto.  Como entender o que é um orgânico convicto?  Bem, e são uma categoria de consumidor alimentar tão respeitada quanto o macrobiótico e o vegetariano, só que menos chato.  O movimento orgânico tá na moda na Europa e nos Estados Unidos, já o “macrô” e “vegan” são coisas do século passado, identificados a cultura dos anos 80 e 90, e não causam mais o impacto daqueles tempos, embora ainda resistam em suas trincheiras. Cada um na sua, cada um identificado com seu tempo. Na realidade sempre tive um pé no movimento orgânico, sempre tive simpatia por orgânicos. Lembro que a primeira feira de produtos hortifrutigranjeiros que conheci foi em Bagé. A feira ficava estendida ao longo da Praça de Esportes, em frente ao Colégio Auxiliadora. Era simples e muito autêntica. Lá haviam poucas bancas cobertas por lonas amarela e os feirantes sorridentes ofereciam seus produtos aquelas senhoras que puxavam seus carrinhos abarrotados, e atrás delas vinham as domésticas. Mais tarde conheci a Feira Ecológica da Redenção, em Porto Alegre. Era mais sofisticada e frequentada por gente descolada. A Feira da Redenção existe ainda hoje, a outra, de Bagé não tive mais notícias. Aqui em Santa Cruz tenho frequentado o Farmers Market – feira de orgânicos, que acontece todos os sábados pela manhã, no estacionamento do Cabrillo College. Ali são reunidas mais de 90 bancas montadas em elegantes estruturas metálicas cobertas por plástico branco onde se encontra de tudo: verduras, frutas, legumes, leite, queijos, sucos, chás, café do Marrocos, da Colômbia, carne de gado, de galinha e peixe do Alaska, vinhos, tâmaras do oriente, e condimentos. E tem apresentações de música, jazz, blues, folk, e as vezes um senhor tocando música brasileira em sua harpa. Existem muitas feiras iguais a esta em todas as cidades da Califórnia, e todas são regidas por severas normas de fiscalização, garantindo que somente produtos sem agrotóxicos e sem antibióticos sejam ofertados. E os produtores associados cumprem o acordo. Tudo muito orgânico. Em toda baia de Monterrey, de Carmel a Santa Cruz existe uma grande quantidade de supermercados orgânicos.  E produtos orgânicos são encontrados em grande  escala em supermercados de grandes redes: Safeway, Whole Foods, Target. Mais uma  prova de que nós,  orgânicos, estamos em expansão, na crista da onda- "rip curl" e no topo das prateleiras. O resultado desta minha guinada alimentar ocorreu sob influência da “cultura orgânica”. Exemplo disto foi a troca do sanduíche de presunto e queijo que era consumido a noite,  por um saudável prato de verduras.  O sorvete que vinha sempre acompanhado de frutas foi substituído pelo iogurte. De todas as mudança alimentares sem dúvida a mais radical foi a troca da Coca-Cola normal com adição de açúcar pela Coca-Zero, sem açúcar. Por favor, não faça confusão com Coca Light, aquilo é um veneno.  No passado, sob infuência do João Mattos, premiado fotógrafo gaúcho, e meu assistente,  já havia tentado trocar a Cola-Cola por outra bebida, sem sucesso.  Geralmente após uma sessão de fotos, o João e eu nos dirigíamos para um  “boteco”  qualquer para beber  uma coca bem gelada, comemorar o fim da jornada de trabalho. Um belo dia destes, o João veio com essa conversa de abolir totalmente a “Coca-Cola”, virar abstêmio. A princípio aquilo me pareceu  “viadagem”, no bom sentido.  O João é casado com a Carlinha,  e atualmente sei que ele só bebe H2OH! Limão, o que no meu conceito isto é "meia viadagem".  Naquela época eu passei a beber Guaraná. Durante aquele período de abstinencia as fotos pioraram tanto que decidi logo voltar pra “Coca”,  para não comprometer o trabalho e terminar o livro que estava sendo feito. Aqui na Califórnia não tem Guaraná, nem essa H2OH, e claro,  eu não cometeria os mesmos erros do passado. Ainda mais agora que sou orgânico convicto e bebo Coca-Zero, sem açúcar.

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DOMINGO, NOVEMBRO 24, 2013

Dia destes liguei para um amigo que está no Brasil. Entre as saudações iniciais ele  perguntou como eu estava por aqui. Respondi que estava  lutando contra os descontos. Lutando para vencer as ofertas tentadoras do comércio, lutando para me conter e frear o instinto consumista. As promoções de comércio na Califórnia são tantas que nos fazem fugir delas a todo instante. É fugir ou enfrentá-las corajosamente. Isto é, lançar mão do cartão de crédito como última alternativa, como um golpe fatal, o lance final num ato de desespero e, então, acalmar os "delirious aquisitivus". É uma luta quase inglória. Pra não levar desaforo pra casa, a solução mais racional é utilizar os cupons de descontos. Nem que seja pra comprar um humilde cafezinho. Recebo diariamente cupons de descontos, os quais são enviados por e-mail.  As redes de lojas agem na calada da noite. E assim, logo de manhã, após  tomar  café, ligar o computador e abrir os e-mails me deparo com uma fila interminável de cupons a minha espera. É o que basta para acabar com o sossego matinal de qualquer um.  São cupons de  supermercados, lojas de eletrônicos, farmácias, postos de abastecimento, papelarias, imobiliárias, seguradoras, todo tipo de comércio. Há dias penso em ligar para o setor de atendimento ao cliente destas lojas e solicitar a eles que não enviem mais os cupons. Ou então que aumentem drasticamente os preços dos produtos, e assim me afastar dos maus pensamentos, me afastar dos desejos de consumo. Outra  arma do comércio é  oferecer carinhosamente o cartão de fidelidade para o cliente juntar pontos e trocar na próxima compra. Sim, sempre existirá uma próxima compra.  Para agravar a situação,  cartões de fidelidade não invalidam  cupons, pelo contrário, se somam a eles para aumentar o desconto e consagrar a angústia do cliente. O que pode se configurar num atentado aos valores mais íntimos do cliente. Uma grande confusão. Percebi que a  estratégia de marketing do comerciante é manter o cliente dentro da loja. De preferência, da sua loja. Manter o cliente sob tensão. Sim,  porque atrás de  toda compra há sempre uma tensão. Que envolve decisão, escolha. E a vida é feita de escolhas, já dizia Jean-Paul Sarte (não sei se ele incluía estas escolhas). Tem aqueles finais de semana que fico apreensivo com a proximidade da segunda feira trazer o fim de todas as promoções. Tudo não passa de um susto até  abrir meus e-mails e rever a lista de cupons e mensagens enviadas anunciando novas promoções. É como se a vida se renovasse a partir daquele momento.  Pra complicar o intrincado jogo de compra e venda,  existe a lei da devolução, o chamado “return”. Tudo que você comprar pode ser devolvido em 30 dias,  sem constrangimento ou restrições.  Resultado: as lojas criaram o departamento “Open Box”,  onde produtos devolvidos são colocados com preço muito menores, produtos que geralmente foram usados apenas em um ou dois dias. Americanos compram compulsivamente e enchem suas garagens até que num belo domingo pela manhã colocam tudo em frente de casa para vender por preço de banana. Chamam isto de “Garage Sale”, ou “Yard Sale”. Isto é outro departamento. Fiquemos apenas com os  cupons de descontos, que podem ser encontrados também em anúncios de jornais. Tudo é feito para atrair o cliente, para oferecer benefícios, para reduzir preços, e facilitar a venda. Não só produtos são ofertados, serviços também.  Aí entram serviços de internet, energia elétrica, telefonia, televisão a cabo, etc. Fiz contrato com a operadora de telefones AT&T,  adicionei ao pacote mensal outro pacote de ligações internacionais onde disponho todo mês de 1000 minutos  para ligar ao Brasil. O valor do pacote das ligações internacionais acrescentou a minha conta de telefone celular o valor de 10 dólares por mês. Pois bem, na mesma semana que fiz este contrato, recebi proposta de uma  operadora de telefonia celular  brasileira  ofertando um pacote de ligações internacionais para ligar ao Brasil  pelo equivalente a R$ 2,50 (reais) o minuto. Na oferta da AT&T 1000 minutos custam 24 pilas, já na operadora brasileira custaria a bagatela de 2400 pilas.  Por estas, meu amigo Raul Daudt, que mora no estado do Colorado diz sempre “ricos moram no Brasil”.  E  neste balaio de cupons, ofertas, descontos, agente adiciona silenciosamente a comparação entre preços praticados no Brasil e aqui nos US. Daí a consciência fica aliviada, e o cartão pesado.

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DOMINGO, NOVEMBRO 10, 2013

 

Aqui nos Estados Unidos, cada estado da federação produz legislação própria sobre vários temas. A liberação da marijuana é um deles. Estados como Washington e Colorado, por exemplo, aprovaram recentemente legislação que libera o uso da erva para todas as finalidades, dentro de suas fronteiras.  Na Califórnia,  a lei sobre este assunto envolve um amplo espectro de proposições (decretos) que basicamente discriminam o uso da marijuana para diferentes finalidades: industrial, medicinal, pesquisa, cultivo,  e ainda prevê penalidades ao usuário comum de acordo com a quatidade de marijuana confiscada com o sujeito se o mesmo for detido por agente policial.  Esta semana encontrei a doutora Deborah Malka, PhD em medicina alternativa e especialista neste tema. Fui  a sua clínica e conversei com ela para entender como funciona o tratamento medicinal a base de marijuana. Foi esclarecedor nosso encontro. Ela defende uso da marijuana como medicamento auxiliar em diversas terapias, como artrite, glaucoma, hepatite, osteoporose, etc. Segundo ela, a marijuana é indicada também para o alívio de dor em pacientes com cancer. Quando perguntei a ela se a marijuana não poderia ser a porta de entrada para drogas pesadas, como cocaína e crack, ela afirmou que é exatamente o contrario, que a experiência com seus pacientes mostra que a marijuana ajuda as pessoas a pararem com o uso de drogas pesadas. Disse a ela que no Brasil, a “maconha” é associada ao tráfico, a violência, ao  mundo do crime. Segundo doutora Malka, a marijuana é uma erva barata e por isso sem interesse para traficantes, nos Estados Unidos. Doutora Malka foi enfática em afirmar que substâncias como o álcool e tabaco são usados livremente,  provocando  malefícios maior a saúde, mortes no trânsito, agressividade, problemas familiares,etc.   Drogas químicas, como calmantes e assemlhados são vendidos livremente em farmácias ficando ao alcance de todos para uso indiscriminado.  Doutora Malka entende a marijuana como uma erva medicinal que deve ser administrada com cautela e com acompanhamento médico, ao mesmo tempo que deve haver educação do paciente para saber usar a erva em seu benefício. Disse ainda que quando trata adolescentes, recomenda sempre  a família  a monitorar o jovem durante o uso da erva,  como, alias, deveria monitorar no consumo de álcool  e medicamentos farmacêuticos, em geral. Existe, segundo ela,  um entendimento equivocado com relação aos males provocados pelo uso da marijuana, e uma forte associação da erva a um estilo de vide baseado na contestação, o qual foi consagrado nos anos 60 e 70. Segundo ela, tudo isto deve ser comprendido de outra forma para que a marijuana passe  a ter uso discriminalizado, ou seja, uso diferenciado para finalidades diversas. Na Califórnia, o uso é para consumo é parcialmente liberado, isto é, somente mediante prescrição médica o consumidor pode fazer uso legal da substancia. A doutora Malka revelou que quando seus pacientes vão a primeira consulta, devem levar exames clínicos, além da indicação do uso da erva por parte de outros médicos, de acordo com a especialidade. Desta forma ela fornece o documento legal que  dá direito ao usuário portar certa quantidade de marijuana. O documento ou prescrição médica tem prazo de validade durante 1 ano, e somente pode ser renovado pela própria médica. O documento de portabilidade da marijuana contém, além da identidicação do usuário ( ou paciente), as indicações médicas da erva, telefones para contato com a cliníca da doutora Malka e outras informações do paciente.  O assunto é complexo, as opiniões são diversas. O assunto avança no Brasil, onde ainda existe muita desinformação, preconceito e glamour envolvendo a liberação da marijuana. É  preciso que a sociedade faça um debate sério,  para que todos  possam superar velhos tabu,  e encontrar o caminho adequado. O fato é que nos Estados Unidos, 100 milhões de pessoas experimentaram marijuana nos últimos dez anos, e destes, 14 milhões são usuários atualmente, segundo dados do governo federal. Doutora Malka me disse que a marijuana pode ser consumida de diversas formas: em alimentos, em chás, sucos, saladas, e até mesmo na forma mais conhecida, o “cigarro de marijuana”. Mas esclareceu que a dose deve ser administrada de acordo com a indicação médica. Em vários países da Europa, Estados Unidos a marijuana foi liberada ou seu uso discriminalizado. Já existe pressão de setores da industria têxtil, de óleos e cosméticos na flexibilização das leis ou de nova legislação. A industria farmacêutica não deseja a liberalização pois vê na erva um  produto natural potencialmente concorrente a seus produtos químicos.  O vizinho Uruguai avança na liberação total através de nova legislação. No Brasil, o ex-presidente FHC defende a discriminalização da erva,  até mesmo como forma de diminuir o impacto sobre o tráfico, afastando os usuários de marijuana de criminosos. Qual sua opinião: liberar, discriminar ou proibir?

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DOMINGO, OUTUBRO 27, 2013

Muita coisa mudou desde que morei na Califórnia,  em 2002. Agora, Obama é o cara. Nos tempos de George Bush, diariamente se via alertas contra um possível ataque terrorista. O perigo era compartilhado pela cor da tarja exibida na tela da TV. A economia andava lenta e havia mais desemprego.  O esperado ataque nunca aconteceu. Não havia facebook, nem skype, nem twitter. A comunicação com o Brasil era feita através de telefonemas e troca de emails. Agora, é possível saber da vida de todo mundo, num só tempo, basta entrar no facebook. Nada mais é privado, tudo é compartilhado.  A rede que era pra ser social, virou pessoal, e o que era pra ser pessoal passou a ser compartilhado. Como se não bastasse postar seu retrato no perfil do facebook, tem gente que posta fotos de partes do corpo: pés, mãos e orelha são as mais publicadas. Há casos mais específicos. Esta semana, por exemplo, uma “amiga” foi ao dentista, arrancou dois dentes, chegou em casa com a boca anestesiada, correu para o banheiro fez uma foto do céu da boca com uma imensa cicatriz e postou na rede social.  Provavelmente estava sob efeito da anestesia “local”.  Tem os avisos de utilidade pública, muito oportunos. Como de um  amigo que pegou uma gripe e, antes mesmo de tomar uma aspirina, compartilhou com a humanidade seu precário estado de saúde. As coisas mudaram em todos os lugares e aqui também.  Aqui, temos o  carro das orações. Toda a sexta-feira estaciona na avenida principal da cidade um flamante Oldsmobile 1940, em cima do capô há uma placa onde se lê “We pray for you”. Do lado de fora do carro se forma uma fila de fiéis esperando sua vez de entrar no carro e compartilhar orações. Certa vez, por curiosidade, cheguei a entrar na fila, quando chegou minha vez de ingressar no carro, desisti. Não só orações são compartilhadas, histórias de amor também são dividas com o grande público, através do rádio. No programa “Delilah Show”,  desfilam todas as noites dramas de casais que se separaram, mulheres traídas, maridos abandonados, adolescentes carentes, idosos apaixonados, todos confessam suas fraquezas e, com voz engasgada, tomados pela emoção recebem conselhos da Delilah (Dalila), a apresentadora, que oferece consolo e canções. As histórias vão do trágico ao cômico, embalados pelo melhor do soft rock. Muita coisa é compartilhada nas ruas da cidade. Ainda hoje se vê aqui em Santa Cruz, hippes, pacifistas, músicos, gente portando cartazes pedindo paz, ecologistas pedindo “Free Amazon”, gente pedindo o fim da energia nuclear e pedidos de compaixão pelos animais. O mais divertido, porém, foram dois sujeitos barbudos, tipo cowboys, compartilhando seus desejos. O primeiro caminhava com um cartaz pedindo “me ajude a fazer operação para aumentar o pênis”. Na mesma rua, na quadra seguinte, outro cara a carregava no peito seu cartaz, “me ajude fazer operação para diminuir o pênis”.  Todos os desejos são muito mais compartilhados, em 2013.

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QUINTA-FEIRA, OUTUBRO 17, 2013

Dandah e Papiba, Capitola/CA    (c)Eurico Salis 2013

O Sambadá é um negócio doido.  Foi o primeiro show que vi, quando cheguei na Califórnia, em 2002. Voltei a assitir outro show deles, agora em 2013, na praia de Capitola. Eles atraem grande público quando se apresentem, eles mexem com a alma, e com o quadril dos americanos desajeitados durante todo o tempo que estão no palco. As vezes, fora do palco, nas aulas de capoeira. Papiba Godinho, professor de capoeira, compositor, guitarrista e criador do grupo, nasceu em Brasília, é filho de gaúchos, na infância passou parte de suas férias entre Torres e Jaguarão. Em 1991, ele cursava ecônomia em Brasília, quando resolveu ir para Nova York estudar inglês e conhecer a bolsa de valores. Chegou lá e achou tudo muito chato. Largou Nova York e os estudos em economia e se mandou de malas e berinbau pra Califórnia ajudar um amigo brasileiro nas aulas de capoeira. Em Santa Cruz, seu primeiro show  foi no restaurante Café Brasil. Era então “Papiba and Friends”, e agradou muita gente. Foi quando ele resolveu criar o Sambadá. Desde então, sua banda não parou mais de tocar na Califórnia, algumas vezes em outros estados como Nova York,  Texas, Nova Orleans, Pensilvania. Até que em 2003 ele conheceu Dandah da Hora, baiana nascida em Salvador, percussionista integrante do Ile Aiye desde os seis anos de idade, com profundo conhecimento da cultura afro. Com o Ile Aiye, Dandah se apressentou em San Francisco, durante o carnaval de 2003.  Em 2004, ela entrou para o Sambadá e agregou a banda sua perfomance de bailarina, sua voz cristalina, e sua grande espiritualidade. Ela cativa o público desde o primeiro instante em que pisa no palco, tem facilidade para cantar e para encantar os americanos, e também sabe muito bem se comunicar com o público. A presença de Dandah deu maior envergadura ao Sambadá, que é uma mistura refinada de afro, samba, jazz e rock. Tocam na banda, além de Papiba Godinho (guitarra, voz e violão) e  Dandah da Hora (voz e percussão), os músicos californianos Anne Stanfford (sax, flauta, clarinete, percussão), Gary Kehoe ( bateria e percussão), Etienne Franc (baix;  Ibou Ngom e Abel Damasceno (na percussão). Não seria exagero dizer que o grupo já conquistou a Califórnia,  alcançou maturidade musical, sabem mesclar solos de guitarra que remetem ao rock com solos de sax que remetem ao jazz. Atualmente,  eles estão se preparando para gravar novo disco. Segundo me disse Papiba esta semana, todos os músicos querem trabalhar muito na produção para colocar no novo álbum toda energia que conseguem ao vivo. Perguntei como ele define o Sambadá,  ele foi categórico em afirmar que o  “Sambadá é uma banda internacional com base brasileira”. Fiquei com esta impressão depois de ter visto novamente o show do Sambadá: mistura de ritmos com o toque inconfundível da música brasileira. E o futuro do Sambadá, perguntei, ele revelou que  pela primeira vez em 15 anos vão gravar duas músicas cantadas em inglês. Eles querem navegar em outros mares, mantendo a identidade musical.  Então lembrei a letra da música Yemanjá, gravada no álbum Salve a Bahia (2007),  que diz “…Choveu na Bahia de Monterrey…e o mar bateu mais forte. A força da onda vem de Deus…”.  O Sambadá quer ver a força de sua onda bater mais forte, agora em outras baias.

 

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SEXTA-FEIRA, OUTUBRO 11, 2013

                                Roaring Camp,Felton/CA   (c)Eurico Salis 2013

Santa Cruz, Califórnia, outubro de 2013. O verão terminou, a temperatura caiu. Corações e mentes são aquecidos ao lado de lareiras elétricas. Durante este mes acontecem eventos culturais marcantes aqui em Santa Cruz. Como o Pacif Rim Film Festival e o Open Studios Art. O primeiro, é um festival de cinema que traz a Santa Cruz produções cinematográficas realizadas em países localizados no oceano Pacífico. O festival foi idealizado por Jim e Jeanne Houston. Ela, nasceu em Inglewood, Califórnia, filha de imigrantes japoneses, passou sua infância na privação dos campos de concentração imposto pelo governo americano a todos os descendentes de alemães, italianos e japoneses, durante a segunda guerra mundial. Entrevistei Jeanne Houston em 2003, aqui em Santa Cruz. Ela contou com detalhes o período que viveu com sua família no campo de concentração, no deserto de Manzanar. Desta experiência resultou anos depois o romance chamado “Farewell to Manzanar”, o qual virou série para tv americana, em 1976, e arrebatou vários prêmios, inlcusive o Emmy. Jeanne Houston dividiu a autoria de sua biografia com o marido, o escritor James Houston. O festival idealizado por eles completa 25 anos em 2013. E cresce a cada edição. Outro importante evento cultural local é o Open Art Studios. Sua realização é fruto da cooperação entre produtores, artistas, empresas e governança local. Durante os tres primeiros fins de semana de outubro, há 28 anos, os artistas abrem seus estúdios para receber visitas do público, mostrar suas produções e vender arte. Todo tipo de arte: fotografia, escultura, joalheria, desenho, pintura, etc, etc… Este anos serão mais de 300 artistas participantes da grande mostra. O evento vai além das exposições, promove arte educação através de vários programas. Alguns destes distribuem bolsas de estudo em artes para dez mil alunos da rede escolar de Santa Cruz. Open Studios arrecada doações de empresas e de pessoas comuns da sociedade, destina os recursos para manter programas de arte educação. Tudo é organziado pelo Santa Cruz Arts Council (www.artscouncilsc.org) orgão público que equivale a nossa secretaria de cultura municipal. É o Arts Council que organiza e promove o evento, através da mídia impressa, da internet, em apps, distribui o programa e mapa dos estúdios, organiza a inscrição e seleciona os participantes. Faz o escambau pra coisa acontecer certo. E acontece. Os artistas vedem quase tudo que expoem. Isto significa que atividade cultural movimenta a cidade, gira recursos financeiros, gera empregos, dinamiza a economia da região. Atividade cultural aqui é coisa séria, não polui o meio ambiente, aumenta a qualidade da educação, forma jovens com capacidade critica, expande conhecimentos. Cultura serve para aquecer corações e mentes, e serve para engordar a conta bancária, também. Para terminar, reproduzo aqui dados extraidos do site do Ministério da Cultura, recentemente e mostram um espelho dos recursos destinados a cultura no RS. Em 2012, Bagé e seus produtores culturais captaram através da “Lei Rouanet” apenas R$ 5.431,00. Veja o que foi captado no mesmo período em outras cidades gaúchas: Bento Gonçalves R$ 1.446,000,00; Caxias do Sul R$ 2.282,000,00; Campo Bom R$ 366.000,00, Encantado R$ 267.832,00; Lajeado R$ 615.640,0; Passo Fundo R$ 2.270.000,00. Os números falam por si. Os produtores culturais, a Secretaria de Cultura de Bagé, os empresários e a comunidade precisam se mobilizar e alterar este quadro. Cultura é feita com financiamento. As leis de incentivo estão aí para viabilizar recursos aos projetos.... Então, mexam-se!

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DOMINGO, OUTUBRO 6, 2013

                                     Pier de Santa Barbara,CA (c)Eurico Salis 2013

 

O que realmente está por trás do “shutdown”, a paralisação do governo federal americano, é a longa batalha que vem sendo travada entre republicanos e democratas para aprovar, ou derrubar, a reforma no sistema de saúde americano, popularmente conhecido como  Obamacare.  Com o pretexto de reprovar o orçamento federal para o próximo ano, os republicanos levaram Obama as cordas, recusando o orçamento. O orçamento não foi aprovado dentro do prazo legal, e em razão disto, serviços federais foram paralisados  até que o embróglio se resolva.  Obama acusa os republicanos de criarem uma crise desnecessária que trará consequências ruins à economia do país. Ele não é bobo,  está fazendo do limão uma limonada. A opinião pública que andava de mal com Barack, começa a se manifestar favorável ao presidente. Os Estados Unidos tem um sistema de saúde ruim,  e caro para o bolso do cidadão classe média - a maioria da população  por aqui. Esta semana, protegido por  meu  plano de saúde, que é limitado e cobre apenas emergências experimentei o gosto que recai no cidadão médio o peso do sistema de saúde.  Levei meu filho ao médico que receitou ao Bruno remédio para eliminar vermes, coisa normal que ocorre em crianças. Fui à farmácia e, para minha surpresa, as seis cápsulas receitadas custavam setecentos e trinta dólares. Absurdo total. Se você tem plano de saúde, o assunto é outro e então como plano cobre 90% do custo,   a medicação vai pesar bem menos. Não é o meu caso. Bem, liguei para uma farmácia no Canadá, onde a medicação é muito acessível. Enviei a eles a receita por email,  iria pagar sessenta dólares pela mesma medicação que aqui custavam setecentos e trinta doletas. Tudo certo? Não, tudo errado. A farmácia me avisou que o prazo para entrega da medicação na Califórnia levava em torno de cinco semanas. Ests prazo inviabilizou comprar a tal  medicação no Canadá.  Claro, existem barreiras legais para entrada de remédios, e existem artimanhas imposta pela cruel industria farmacêutica, que não dorme no ponto e fecha todos os meios  para furar o bloqueio. A solução? Trazer do Brasil, onde as seis cápsulas custam vinte reais,  e chegam em torno de dez dias. Nesta hora lembrei do esforço do governo brasileiro alguns anos atrás quando quebrou patentes e implantou o medicamento genérico no Brasil. Aqui também existe “genérico” mas eles não fazem cócegas na poderosa indústria farmacêutica. Aliás, esta mesma indústria mantém um verdadeiro bombardeio contra o governo Obama, que contraria seus interesses. Eles não estão sozinhos. As redes de televisão CNN e Fox também batem sistematicamente no Barack. Em razão da não aprovação do orçamento do governo, serviços federais foram paralisado aqui. Bill Clinton passou por esta experiência, imposta pelos republicanos. Na prática mudou pouco o dia a dia do povo americano, porque aqui a os serviços públicos são operados pelo município, ou pelo estado, em sua grande maioria.  Estão fechados parques, museus e monumentos. Brasileiros que estavam com data marcada para conhecer a Estátua da Liberdade vão ter que atirar suas fichas nas roletas de Las Vegas. Com sorte, se acertarem o vermelho 23, poderão voltar mais ricos para o Brasil.

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SEGUNDA-FEIRA, SETEMBRO 30, 2013

Onde fica Arroyo Grande? E Santa Rosa? Você já foi a Santa Clara? Estes são alguns nomes de cidades da Califórnia. Terceiro maior estado americano em extensão, depois do Alaska e Texas, com a maior população dos USA, estimada em trinta e oito (38) milhões de residentes, segundo o senso de 2012, a Califórnia sempre ultrapassa as cifras. É o estado mais rico do país, figura como nona maior economia do mundo. Aqui estão localizadas industrias poderosas, como do cinema, em Holywood, da informática, no Vale do Silício, e no Napa Vale, a industria do vinho.   A região conta com uma vigorosa produção agrícola, e uma potente rede de universidades que atrai  alunos e professores do mundo todo. Eles transitam nas universidades UCLA, Stanford, Berkley, e outras.  A industria do turismo atrai para a Califórnia boa parte dos bilhões de dólares que entram no país todo ano. E aqui estão também cidades com nomes de origem espanhola. O  território onde é a  Califórnia, assim como os estados Nevada, Novo México, e Utah um dia pertenceu ao vizinho México, que após proclamar independência da Espanha, e devendo uma boa grana aos Estados Unidos, entregou este imenso território como parte do pagamento por empréstimos. Digamos a terra que foi “cedida” como parte do acordo celebrado pós guerra mexicana-americana. O tal acordo teve o nome de Tratado de Guadalupe Hidalgo, e foi assinado em 1848, junto com ele foi assinado também um cheque no valor de quinze milhões de dólares, como indenização pelo território reclamado pelos americanos. Antes deste embrólio, a região tinha sido colonizada por espanhóis os quais já tinham enviado para cá suas missões, já tinham construído igrejas católicas, catequisado os colonos, e batizado as cidades com nomes espanhóis.  Muitas delas, como Santa Bárbara, San Luis Obispo, ou Salinas conservam ainda hoje a arquitetura tipica da época da colonização espanhola. Os  nomes de cidades com origem espanhola são maioria no  estado, e são cidades importantes como Los Angeles, San Francisco, San Diego, Sacramento - a capital, Palo Alto, Santa Cruz, San Fernando, Carmel e Monterrey.  E existem cidades com nomes “extranhos” como Scotts Valley,  Redwood City, Palm Springs. Mas estas fazem parte da minoria. Você sabe onde fica Cerritos? Não adianta procurar no mapa entre Bagé e Lavras do Sul, porque Cerritos é uma cidade da Califórnia, tanto quanto Rancho Palo Verde, Carpinteria, La Palma…

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DOMINGO, SETEMBRO 22, 2013

                        Big Sur,CA    (c) Eurico Salis 2013

 

O nome Big Sur foi retirado da língua espanhola e significa “el sur grande”. Serviu para que os ancestrais que habitaram esta região identificassem parte da costa central da Califórnia, uma área sem limitações definidas. Pode-se dizer que o miolo, a parte mais interessante do Big Sur começa ao sul de Carmel extendendo-se por 65 kilometros até alcançar a cidade de San Luis Obispo, ao sul.  Para um turista menos avisado, Big Sur encontra-se entre San Francisco e Los Angeles.  Cheguei ao Big Sur a primeira vez em 2003 dirigindo pela Highway 1 contornando curvas apertadas, penhascos gigantescos, e principicios, deixando para trás a vegetação colorida que reunia todas as tonalidades, de um lado árvores gigantes, sequoias milenares, altas, muito altas. De outro lado, rochedos em forma de catedrais emergindo das águas revoltas do oceano Pacífico, e muito vento. Logo cheguei a Bixby Bridge, ponte sustentada por imenso arco em concreto, parada obrigatória para fotografar a paisagem. Mais uma fotografia. Acredito que Deus criou lugares como o Big Sur para nos dar a chance de desinflar nosso ego, a chance de meditar sobre a nossa existência sobre a terra, e  principalmente, a chance fotografar a paisagem da Califórnia. Claro, nem todos como George W. Bush conseguem meditar e fotografar ao mesmo tempo.  Muitos meditaram, escreveram, pintaram, e fotografaram no Big Sur, este lugar serviu de cenário para artistas, pintores, fotógrafos, e escritores. Como Jack Kerouak, que escreveu “Big Sur” (1962),  logo depois de ter lançado o consagrado romance “On the Road”, clássico da geração beatnik. Muitos artistas moraram no Big Sur, especialmente nos anos 60, época em que estas montanhas testemunharam alto consumo de drogas e alucinógenos. Tanto é que o nome de um famoso restaurante do lugar, o Nephante, é o mesmo nome de um potente alucinógeno usado por Salvador Dali e Dylan Thomas. Outro famoso escritor e que passou parte de sua vida no Big Sur foi o romancista Henry Miller, autor de obras como Nexus, e Plexus. Funciona no Big Sur o museu The Henry Miller Memorial Library, dedicado a contar a vida do escritor entre o perído de 1944 a 62, época em que Miller morou numa modesta cabana entre as montanhas, e frequentou o restaurante Nephante. Do alto do terraço deste restaurante pode-se ver o mar, os rochedos, e apreciar a passagem das baleias azuis, leões marinhos e lontras, entre junho e outubro.  Voltei ao Big Sur  este mes, quando retornava de Santa Barbara. Por ironia do destino e insulto a natureza somente a camera do meu celular tinha bateria suficiente para fotografar. Voltarei lá em breve. Quero visitar o restaurante Nephante, quero conhecer  o Big Sur Bakery & Restaurant, famosa cantina italiana e visitar os parques.  Para quem deseja estender a visita ao Big Sur, há pequenos hotéis e cabanas que oferecem comodidade, conforto com vista para o mar ou para a floresta.  Pra quem deseja um pouco mais, há uma programação cultural de peso mantida pelo The Henry Miller Memorial Library,  onde  já se apresentaram Neil Young, Philip Glass, Laurie Anderson, Red Hot Chilli Pepper, além de grupos de folk, blues, jazz,  e de teatro.   Há muito o que se fazer, há muito o que se ver nesta região, há estradas sinuosas entre florestas de sequoias gigantes, altos penhascos, vegetação de todas as cores, baleias, golfinhos e leões marinhos. No Big Sur pode-se chegar perto do céu.

 

 

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TERÇA-FEIRA, SETEMBRO 17, 2013

Fui ao DMV – Department of Motor Vehicles esta semana para renovar a licença do meu carro, o emplacamento para 2014. A renovação foi rápida e custou apenas $ 93. O DMV, Detran americano, entrega um pequeno adesivo colorido para ser colado na placa. Todo processo leva em torno de 20 minutos e o IPVA tá renovado. Mas o que me chamou atenção lá no DMV foi a promoção “The Califórnia Pet Lover’s License Plate”, a qual  permite  ao motorista usar no seu veículo uma placa personalizada com a cara de um cachorro. No caso, dois cachorros, Shilo e Angel Baby, que foram desenhados pelo ator Pierce Brosnan, outro apaixonado por cachorros. Enquanto a placa normal custa $50, a placa dos cachorros custa $98. O valor arrecadado com esta promoção gerenciada pelo The Califórnia Veterinary Medical Board, será destinada para o programa gratuito de castração de cachorros. O folder promocional do programa argumenta que milhares de cãezinhos são levados à eutanásia todo ano, como resultado da super população desses animais. Para evitar o sofrimento dos animais, será incentivada a castração de pets. Outro detalhe: o motorista pode manter e transferir a numeração original de sua placa para a nova placa, ou se desejar, criar nova sequência de números, ou letras. Pode escrever, por exemplo, o nome de seu próprio cão: “Marley”, “Lassie”, “Scooby”, “Benji”.  Não pode escrever na nova placa nada que seja considerado inapropriado. Vou voltar ao DMV na próxima semana, por outro motivo que não tem nada a ver com placa ou cachorro. O motivo é uma multa de transito que recebi, e segundo  me explicou o Sheriff a razão da multa foi eu ter cortado a frente do carro dele, sem sinalizar a mudança de faixa do meu carro e sem olhar sobre o ombro antes da manobra. Fui parado e advertido pelo Sheriff. Depois disto, me coloquei a sua disposição para fazer um  teste e comprovar que estava dirigindo sóbrio, sem álcool, sem drogas. O teste transcorreu normal, segui as orientações atento. Entre outras coisas, fechei os olhos e olhei para cima e contei, em silêncio, até trinta. Depois segui em zig zag o dedo do policial com os olhos, sem movimentar a cabeça. Na hora de ficar equilibrado em apenas uma perna, foi trágico. Depois de várias tentativas, consegui. Expliquei ao oficial  ele que  havia terminado a poucos minutos minha caminhada diária e por tal motivo estava cansado. Pelo teor de nossa conversa, pela troca de gentilezas e cavalheirismo, pelas perguntas estranhas que ele fez, e a demora na conferência dos documentos, cheguei a pensar que o Sheriff  é que poderia ter bebido alguma birita. Ao final, ele me entregou os documentos e informou que eu posso optar em pagar a multa ou ir a corte para desqualificar a multa que ele havia aplicado. Depois de tanta gentileza do oficial, descartei a possibilidade de ir a corte para tentar desqualificar sua multa. Nossa multa. Seria deselegância da minha parte com o Sheriff Harvey.

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SABADO, AGOSTO 24, 2013

 

O movimento em defesa dos Direitos Civis iniciou nos Estados Unidos no dia em que Rosa Parks, uma negra franzina e teimosa resolveu enfrentar a lei que proibia os negros sentarem nas cadeiras reservadas aos brancos em ônibus municipais. Num belo dia de dezembro de 1955, Rosa Parks deixou o trabalho mal humorada e resolveu não obedecer a ordem do motorista do ônibus em que viajava, para ceder seu lugar a um branco. Foi presa pela polícia ali mesmo. Em protesto por sua prisão a comunidade de negros e alguns branquelas da cidade de Montgomery, no estado do Alabama, começaram um boicote à companhia de transportes municipal. Como consequência, o serviço público de transporte perdeu grandes quantias em arrecadação durante um bom tempo. O episódio ficou conhecido como “Montgomery Bus Boycott”, e após 382 dias de protestos pacíficos, a Suprema Corte Federal revogou a exdrúxula lei do estado sulista do Alabama que proibia negros frequentar os mesmos locais públicos que os brancos frequentavam. Isto ocorreu em 1955, quando o movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos já havia ganhado a capa da revista Times, e havia se alastrado por todo país, contando com a adesão de gente famosa, como o pastor Martin Luther King Jr. e o senador John Kennedy Jr. Este foi o primeiro protesto contra o transporte público nos USA de que se tem notícia. Foi também um protesto contra o racismo, contra a discriminação e a arrogância que na época tomavam conta de estados sulistas, como Georgia e Carolina do Sul, estados onde a organização criminosa Klu Klux Klan tinha ordas de seguidores. Muitos membros da KKK cometeram crimes hediondos contra negros, tanto na calada da noite como em plena luz do dia. Naquela época, os negros não tinham nem sequer o direito ao voto. O ódio entre brancos e negros rendeu a Holywood filmes consagrados, como “Mississipe em Chamas” e “A Cor Púrpura”, para citar duas grandes películas consagradas. Rosa Parks nasceu no Alabama em 1913, pertencia a uma família de trabalhadores negros, cresceu sofrendo perseguições racistas. Aprendeu a lutar por seus direitos e durante toda vida foi ativista em favor dos Direitos Civis. Rosa faleceu em Detroit aos 92 anos, em 2005, deixando sua marca de coragem e resistência pacífica, dois fatores que ajudaram a mudar a história de seu país. Protestos contra o transporte público não é exclusividade do Brasil, e muito menos novidade na história das democracias modernas. Rosa Parks representou a faísca que ascendeu a chama da liberdade para os negros americanos, e os brancos que se juntaram na luta pela igualdade de cor. Diz o refrão da canção “Sister Rosa” “…thank you Miss Rosa, you are the spark. You started our freedom movement. Thank you Sister Rosa Parks…”, gravada em sua homenagem pela famosa banda de soul music The Neville Brothers, no álbum “Yelow Moon”, em 1989.

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SABADO, AGOSTO 17, 2013

Perguntei a um amigo americano o que poderia ser a causa de um levante popular aqui nos Estados Unidos, uma onda de manifestações populares como aquelas que sacudiram o Brasil, no distante mês de julho. O que poderia servir de gatilho para que a população da maior economia do planeta saísse às ruas em protesto. A resposta foi rápida: “se o governo Obama mandasse fechar todas as pizzarias do país, o povo sairia às ruas para protestar”.  Não sei se ele estava falando sério, mas o fato é que os americanos comem muita pizza. E comem tudo que represente acréscimo de calorias. Daí porque esta nação está cada vez mais gorda. O problema aqui é a obesidade, e não a fome. Um em cada três americanos que nasceram em 2000 terá diabetes tipo 2, segundo a ADA - American Diabetes Association, o tipo da doença que pode resultar em problemas renais, cegueira e outros males. A diabetes cresce principalmente entre a população afrodescendente e latina. Os gastos federais com a diabetes passaram de U$ 174 bilhões, em 2007, para U$ 245 bilhões, em 2012. A diabetes ataca a saúde pública com a mesma força que ataca a economia americana. Quem se alimenta mal, produz pouco. Este é um jargão corrente. Contra todo este mar de colesterol, existem, aqui, em Santa Cruz, uma grande quantidade de supermercados dedicados exclusivamente à venda de produtos orgânicos. O que inclui carne animal.  Os supermercados oferecem excelentes produtos, desde alimentos a remédios, perfumaria, até roupas íntimas,  produzidas com derivados de produtos orgânicos. Nas embalagens, pode-se obter informações dos componentes do produto e acho até que isso foi incorporado positivamente ao marketing de venda destes produtos. Também, aqui, várias iniciativas públicas e privadas são desenvolvidas para tentar barrar o crecimento da diabetes e a proliferação de gordinhos e gordinhas. “Passion for Produce Program” é um programa educacional realizado por uma organização não-governamental em parceria de escolas, que visa ensinar às crianças as vantages de uma boa dieta. “Mesa Verde Gardens” é outro programa educacional, dirigido a pequenos produtores e suas famílias e visa ajudar os agricultores a aumentar seus rendimentos produzindo com exelência alimentos orgânicos. Outro programa, também realizado por iniciativa privada, chama-se  “El Pajaro Community”, que nada mais é do que uma incubadora de cozinha comercial onde os interessados utilizam grandes cozinhas industriais com assessoramento de especialistas para produzir aliementação orgânica, sem agrotóxico. O Jornal Good Times, o qual circula aqui na baia de Monterrey, publicou, esta semana, uma longa matéria com o título “A Recipe for a brighter FOODTURE”, algo como “A receita para um fututo brilhante”. Um trocadilho que faz todo sentido para quem aposta nos produtos orgânicos como alimento do futuro.

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QUARTA-FEIRA, AGOSTO 14, 2013

Eles são muitos e estão por toda parte. Eles oferecem todo tipo de atividade para as crianças que estão em férias escolares e indispensáveis para ocupar o tempo livre dos “anjinhos”. São indispensáveis também para deixar os pais das crianças com tempo livre para cuidar de suas  atividades e, ainda, tirar uma soneca sossegada, sem barulho por perto.  Summer Camps são atividades oferecidas por colégios, instituições de ensino, academias de ginástica, igrejas, atelier de arte, etc. Geralmente, são atividades pagas, com preços que variam de acordo com o tempo da atividade desenvolvida e a estrutura oferecida à criança. Existe uma infinidade de ofertas de atividades que envolvem música, esportes, cultura, leitura, agricultura, teatro, artes, camping, etc. Toda semana são publicados anúncios publicitários dos “camps” em jornais, revistas, impressos em geral, o que facilita a seleção da atividade a qual seu filho irá participar. Meu filho Bruno tem participado em várias atividades neste verão, desde música, artes marciais e jardinagem. Nesta semana, está participando, durante todas as manhãs, em um sítio, de um curso de equitação, que envolve montaria e cuidados com cavalos. Além de ser uma oportunidade para o crescimento e a sociabilidade, é também uma oportunidade saudável para a criança estabelecer novas amizades. Summer Camp é uma atividade educacional que faz parte da cultura americana há um bom tempo. A programação de verão é extensa, não apenas para os pequenos, mas para os adultos também. Aqui, acontecem durante o verão shows gratuitos de conhecidas bandas de rock, todas as sextas-feiras à noite, em um palco montado à beira da praia, no centro da cidade. Outra programação de verão, e que ocorre durante o primeiro final de semana do mês de agosto, é o Cabrillo Festival of Contemporary Music, que reúne musica de diversas nacionalidades – Sambadá é um grupo de brasileiros e americanos que toca ritmos brasileiros e faz sucesso há mais de 15 anos. Outros estilos de música também sobem ao palco: música árabe, hawaiana, latina, rock, blues, soul, jazz,  tudo ao vivo e gratuito, em um palco montado na rua, em frente ao Civic Auditorium. E é neste auditório municipal que se apresentam orquestras e músicos contemporâneos, como Kronos Quartet, Van-Anh Vanessa, Sim Sholom e outras atrações da música instrumental. Para quem gosta de teatro, tem o consagrado Festival Shakeaspeare Santa Cruz, que faz sucesso por aqui há mais de 20 anos, e é produzido pela Universidade da Califórnia de Santa Cruz. Este ano, o festival ocorre entre os dia 23 de julho e 1º de setembro. São montados vários palcos entre as florestas de redwoods, no campus da universidade, e são ocupados, também, todos os teatros do próprio campus. Em fim, a programação cultural é extensa e teremos, ainda, atrações como Tom Jones, Willie Nelson, Madeleine Peyroux. O calendário é enorme, a agenda é variada, e esta é a combinação perfeita para enxugar seu cartão de crédito. But, it’s summer!

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SABADO, JULHO 13, 2013
  

Santa Cruz,CA   (c)Eurico Salis 2013


Nada é perfeito na vida. Por exemplo: viver nos Estados Unidos. Estou desapontado com algumas coisas que encontrei na Califórnia, dez anos depois de ter vivido aqui, o estado mais rico e desenvolvido do país. Este desapontamento se deve ao fato de ter comido uma coxinha de galinha (ou “over coxa"- tradução do Léo Henkin) e ter encontrado no meio da carne aquele ossinho fino tipo palito. Aqui as  coxinhas já deveriam vir sem aquele osso. Pra aumentar meu descontentamento, comi um aipim que também tinha aquele fio duro parecido com raiz. Comer aipim com aquela raiz dura em plena era digital é loucura. Ora, como é que os gringos ainda produzem sobre coxas e aipim desse jeito? O bombril, ou melhor a falta de bombril no supermercado é da mesma forma decepcionante. Temos aqui  no US tudo pra limpeza de cozinha. Menos o que?  Bombril ! Para quem é acostumado a lavar  louça o Bombril faz muita falta. E  lavar louça é  uma terapia. Secar pratos são outros quinhentos, exige uma robusta secadora de pratos.  Na Califórnia você pode comprar um carro bem bacana,  eles são  muito baratos, mas pano de secar custa uma fortuna. Estava procurando  casa para alugar, e qual minha surpresa quando encontro no meio dos anúncios classificados, o anúncio de um trailer Classic 32. Ora, morar numa lata de ervilhas? Nunca! Não queo passar pela experiência de ser confundido com ervilhas! Coisa de gringo. Mas não dá pra reclamar de tudo. Aqui ainda temos o Woodies on the Wharf  que é o grande encontro de carros antigos, feitos com madeira nautica, e que serviam para transportar surfistas com suas longas  pranchas, lá pelos anos 40/50.  Este ano, o encontro reuniu no pier (wharf) em torno de 200 carros antigos, desfilaram pela orla da cidade sob um sol escaldante. Os woodies tem tudo a ver com a Califórnia, e com Santa Cruz – a capital do surf. Tão interessante quanto os carros antigos, eram os donos. E  as donas. Gente com cara dos anos 40/50. Ah, e os carros?  Station wagons de marcas conhecidas: Pontiac, Chrysler Town and Country, Plymouth, Buick Roadmaster e tantos ícones do automobilismo.  O encontro dos carros antigos aqui no pier de Santa Cruz me enviou numa Déja Vú a décadas atrás, só não foi perfeito porque não encontrei Rita Hayworth, a grande dama dos anos 50. Mas como nada é perfeito na vida…

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SABADO, JULHO 6, 2013

Aptos Village,CA  (c)Eurico Salis 2013

 

Esta frase, colhida de um cartaz carregado por uma jovem estudante durante a parada cívica de 4 de julho, deste ano,  foi a que melhor representou o sentimento das pessoas que foram até Aptos Village para participar das comemorações do dia da independência. A parada consta no Guinness World Records como a menor parada do mundo. Fui lá para conferir e fiquei surpreso com a grande quantidade de pessoas que estavam lá. Havia passado durante a noite anterior  pela rua onde aconteceria o desfile, e  então  constatei que ali haviam centenas de cadeiras com locais marcados, carros estacionados, tudo para garantir o melhor lugar. A comemoração do dia da independencia é uma festa cívica de grande significado para todos americanos. É um momento especial de celebração da cidadania, a demarcação de avanços, e sobretudo, a afirmação da nação que reverência a liberdade.  Participaram do desfile escolas públicas,  e privadas, equipes de agencias bancárias,  academias de ginástica, emissoras de radios, jornais, lojistas de todos os gêneros, organizações não governamentais. Até ongs em defesa de animais exóticos, além é claro, de deputados e senadore, estes sim,  não tão exóticos assim. Desde a independência dos Estados Unidos, em 1776, os americanos celebram com paixão este dia, e sempre que podem reverenciam  todos os personagens  de sua história:  Abraham Lincoln, Thomas Jefferson, George Washington, Benjamin Franklin. Além desta parada, estive bem no meio de outra parada neste memso dia : a parada no trânsito, bem ali no Boardwalk. Todos os carros se moviam lentamente, tal a quantidade de gente que lá esteve para ver a queima de fogos de artifíco, que acontece ao longo da orla da cidade. Pontualmente as 10 horas da noite  a polícia fecha a praia. Então todos se recolhem, e agente pode ir pra casa com a certeza de que vai dormir em silêncio,  sem barulho, sem gritaria. O feriado terminou, a nação celebrou seus valores e renovou suas crenças. A principal delas, a Liberdade!

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DOMINGO, JUNHO 30, 2013

Pacific Ave, Santa Cruz/CA   (c)Eurico Salis2013

Give me 5 !

Este mundo é uma bola, mesmo. Durante as próximas semana vou tentar decifrar, aqui neste espaço,  a parte da bola que fica localizada na costa oeste americana, mais precisamente a Califórnia.  Voltei pra Califórnia, dez anos depois de ter morado em  Santa Cruz. Esta cidade é localizada na baia de Monterrey, distante 70 milhas ao sul de San Francisco, e próxima de San José - o maior centro do Vale do Silício. Muitas coisas  “estranhas” acontecem por aqui. Outro dia, por exemplo,  encontrei caminhando na  rua principal do centro da cidade, um jovem magro, sorridente,  alegre e saltitante como um sapo. Ele andava  lá para distribuir “give me five”,  gratuitamente! O guri de uns 25 anos, vestia uma capa vermelha, tipo mágico, e grudado no peito uma placa onde estava escrito “Give me 5 for free”. Acabei batendo minha mão na mão dele,  e meio constrangido dizendo “give me five!”. Sai dali pensando comigo mesmo  “puxa, que cara maluco!”. Depois  cheguei a conclusão que o maluco ali era eu mesmo. Ora, ficar aceitando “give me five” gratuito?  Essa coisas acontecem aqui,  muita gente estranha vive nesta cidade. Eu vou tentar descrever com toda fidelidade possível a vida nesta região da  Califórnia. Mas não acreditem em tudo que  vou contar. Uma coisa porém, fiquem certos, vou escrever com toda honestidade.  Tudo o que eu escrever será filtrado através das minhas lentes, do meu jeito de ver.  Lembram  as descrições das cidades invisíveis feitas por Marco Polo a Kublai Khan, no livro  Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino? A comparação pode ser exagerada, mas serve como parâmetro. Santa Cruz tem o primeiro museu de surf do mundo,  tem uma paisagem  exuberante, que mescla praias, árvores gigantes, penhascos à beira mar, sol intenso, e fog, muito fog durante o início da manhã. E tem gente “estranha” distribuindo “give me five”.  A cidade  produz arte continuamente, a programação cultural é intensa, há música e músicos nas ruas, há  festivais de teatro (Shakespeare Santa Cruz Festival), muito jazz nos clubes,cinemas com porta pra rua, nenhum em shopping center. O Léo Henkin (Papas da Língua) esteve aqui esta semana,  entre outras coisas da cidade,  mostrei a ele os cinemas. Todos  com cara de cinema, e não de loja em shopping center.  Cinemas com filas que dobram a esquina. Um bom enredo para ser completo tem se vir acompanhado de um saco de pipoca.  Aqui tem excelentes livrarias e muitos leitores, tem a Pizza My Heart, o Café Brazil que serve autêntico "PF" e claro,  gastronomia internacional.  Há gente de todos os cantos do mundo, de todas as raças, cores e pensamentos, eles estudam na Universidade da Califórnia de Santa Cruz (UCSC). Em fim, há um mundo de coisas pra ver, e pra descrever. Give me five, for free!

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SEXTA-FEIRA, ABRIL 26, 2013

Muitos amigos estiveram presentes ao coquetel de lançamento do livro Rio Grande do Sul O Solo e o Homem, no Theatro São Pedro, na noite de 02 de abril 2013. O Foyer do teatro esteve lotado de amigos, políticos, artistas, produtores culturais, fotógrafos, empresários, e estudantes. Vale conferir algumas destas personalidades que estiveram  presentes ao evento.

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QUARTA-FEIRA, ABRIL 17, 2013

O Foyer do Theatro São Pedro lotou de convidados para o coquetel de lançamento do livro Rio Grande do Sul - O Solo e o Homem, que ocorreu na noite de  02 de abril de 2013. A mídia reservou grandes espaços para focar a obra,  e comentar o evento de lançamento, tanto em Porto Alegre, como em Bagé, onde o evento foi realizado no DaMaya Espaço Cultural, em 11 de abril, também lotado de convidados e amigos.

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DOMINGO, MARÇO 17, 2013

A cada novo projeto de livro que realizo o ciclo se repete. Quase sempre igual. Lá se vão as etapas de concepção, captação de financiamento, busca dos patrocínios, viagens para  produção de imagens, e o  projeto gráfico - quando o livro toma forma e passa a ser ... um livro.   O projeto gráfico tem sido criado e executado pelo Manoel Petry, da Capella Design. Manoel e eu  temos a  mesma concepção em  programação visual de livros.  Depois do projeto, o  livro ganha corpo de livro. É a vez do  tratamento digital de imagens, pré-impressão e impressão.  Pra fazer o tratamento digital das imagens deste livro contei com a colaboração do Márcio Negherbon (Meca/Impresul). O Márcio é um dos melhores profissionais em tratamento de imagem do Brasil, dono de um talento impar. Entreguei ao Márcio  as imagens pré-tratadas,  e ele com todo talento que tem acrescentou muita qualidade ao trabalho final.  Então chegamos a impressão do livro, o corpo. Tenho que revelar que todos os profissionais da Gráfica Impresul sempre tiveram muita paciência comigo, porque supervisiono absolutamente todo o processo, desde a pré-impressão até a  impressão. Participo de cada momento, cada detalhe, nos mínimos detalhes.  Então, selecionei algumas imagens que mostram parte do making-off da impressão do livro Rio Grande do Sul o Solo e o Homem.

 

Com Márcio Negherbon, tratamento de imagens

 

Com Nilson (chefe da gráfica)

 

Parte da impressão pronta

 

Com Foguinho ( operador)

 

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QUINTA-FEIRA, NOVEMBRO 8, 2012

Desde 1990, quando participei da publicação "Guida Ai Ristoranti e Alla Gastronomia Siciliana", publicada na Itália,  venho colaborando em diversos projetos editoriais. Nos projetos mostrados neste post, minha participação se deu através da publicação de imagens do arquivo, ou de imagens produzidas especialmente para os livros. Todas as parcerias representaram  uma oportunidade para mostrar meu trabalho fotográfico.

 

 

 

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TERÇA-FEIRA, OUTUBRO 16, 2012

Texto escrito em 2002, em Santa Cruz, Califórnia. 

 

Gold Rush

A corrida do ouro – Gold Rush, começou em 1840 e durou cinquenta anos. Nesta época, estrangeiros, e entre eles, muitos chineses vieram para a California na esperança de encontrar ouro rolando nos campos, e nas ruas das cidades. A maioria dos imigrantes que aqui chegaram não encontraram tanto ouro como imaginavam, mas muita discriminação racial, o que perdurou mesmo após Abraham Lincoln abolir a escravatura, em 1865. As famílias que desembarcavam no porto de Nova York tinham que atravessar o país até a costa oeste. Com o aumento da população na Califórnia, houve a necessidade de melhorar os serviços dos correios. Foi criado então, o “Poney Express”, que nada mais era do que cavaleiros que atravessavam o país a galope, com a missão de entregar o mais rápido possível a correspondência enviada aos imigrantes do oeste. Os heróicos cavaleiros do “Poney Express” tiveram que enfrentar as adversidades do clima, a falta de comida, estradas  em péssimas condições, e a fúria dos índios, com quem tiroteavam. Quando escapavam dos índios caiam nas armadilhas dos bandoleiros e assaltantes. O “Poney Express” chegou a levar quatro dias para atravessar o país de costa-a-costa.  Os cavaleiros-carteiros paravam somente para trocar o cavalo, e seguiam suas trihas repletas de aventuras. Muitos filmes de “faroeste” que vimos na matiné, foram inspirados nestas histórias.

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TERÇA-FEIRA, OUTUBRO 16, 2012

Texto escrito em 2002, em Santa Cruz, Califórnia, e adaptado em 2012, em Porto Alegre,RS.

 Santa Cruz, CA

Montgomery Bus Boycott

O movimento em defesa dos Direitos Civis  iniciou nos Estados Unidos no dia em que Rosa Parks, uma negra franzina e teimosa resolveu enfrentar a lei que não permitia aos negros sentarem nas cadeiras reservadas aos brancos nos ônibus. Rosa Parks não obedeceu a ordem do motorista do ônibus para ceder seu lugar a um branco, e foi presa pela polícia. Em protesto por sua prisão injusta a comunidade de negros e alguns branquelas da cidade de Montgomery, no Estado do Alabama, começaram um boicote a companhia de transportes municipal. Como consequência, o serviço público perdeu grandes quantias em arrecadação. O episódio ficou conhecido como  “Montgomery Bus Boycott”, e após 382 dias de protestos pacíficos, a Suprema Corte Federal revogou a exdruxula lei do Estado sulista do Alabama que proibia negros frequentarem as mesmas escolas e locais públicos que os brancos. Mas quando isso ocorreu, em 1955, o movimento já havia sido capa da revista Times, e havia se alastrado por todo país, contando com a adesão de gente famosa, como o pastor Martin Luther King Jr. e o senador John Keneddy.  Rosa Parks faleceu em 2005, aos 92 anos. Sua coragem e resistência pacífica serviram de exemplo ao povo Americano. O movimento em defesa dos Direitos Civis deixou como legado ao povo americano o senso de que liberdade é sinônimo de igualdade, e a democracia não é propriedade de um grupo ou partido político, é antes de tudo um direito dos cidadãos, independente de sua classe social.

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TERÇA-FEIRA, OUTUBRO 16, 2012

Escrevi esta crônica em 2002, em  Santa Cruz, Califórnia. A convite do jornal Correio do Sul,  escrevia semanalmente um texto sobre a vida na Califórnia.  Este texto relata meu encontro com Jeanne Houston, autora de "Farewell to Manzanar".

“Farewell to Manzanar"

Como era a vida dentro dos campos de concentração nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial?  “The Enemy Alien Files – Hidden Stories of World War II” é o título da mostra que está em exposição na Biblioteca Pública de Santa Cruz, reunindo fotos e depoimentos de imigrantes japoneses, italianos e alemães que estiveram presos nos campos de concentração, nos Estados Unidos.  No dia 7 de dezembro de 1941, os japoneses atacaram de surpresa a base naval americana em Pearl Harbour, no Hawai. Um ano depois, o presidente Roosevelt autorizou o Departamento de Guerra a definir áreas no oeste do país e confinar ali imigrantes “potencialmente perigosos” aos interesses dos americanos. Ao todo foram criados oito campos de concentração, que serviram como prisões junto as bases militares e instalações do serviço de imigração.  Nesta época, imigrantes considerados perigosos eram proibidos de viajar dentro dos USA mais de cinco milhas desde  suas residências,  somente tinham autorização para sair de casa entre 8 da manhã e 6 horas da tarde e não podiam visitar amigos e parentes sem permissão oficial. O imigrante que tivesse seu nome incluído na “Lista Negra”, era enviado a estas prisões.  No final da guerra, mais de 31 mil pessoas haviam sido “isoladas”, a maioria eram imigrantes japoneses ou filhos de japoneses com cidadania americana. Em 1988, o Congresso Americano apresentou desculpas oficiais aos japoneses com cidadania americana pela violação  de seus direitos durante a guerra contra o Japão.

Jeanne Wakatsuki Houston tinha 7 anos de idade, em1942 quando sua família foi enviada para viver no campo de concentração em Manzanar, no deserto da Califórnia. Esta semana, Jeanne Houston me recebeu em sua residência, em Santa Cruz, e recordou sua infância nos campos de concentração.  Casada com o escritor e romancista James D. Houston, escreveu com ele o livro “ Farewell to Manzanar”, o qual virou filme para a rede de televisão NBC, na década de 70. De lá pra cá o filme ganhou fama e muitos prêmios. Segundo Jeanne, os  campos de concentração americanos eram diferentes dos campos nazistas. “ Enquanto na Áustria os judeus perderam a vida, em Manzanar perdemos a liberdade”. Em seu livro “Farewell to Manzanar” Jeanne conta sem ressentimentos a  história de sua família lutando para sobreviver  com dignidade ao isolamento da prisão.  É a narrativa humana e comovente de uma menina que aos 7 anos de idade descobre como viver e crescer dentro da prisão. “Criamos um ambiente de fraternidade dentro de Manzanar, onde diariamente eu  freqüentava a escola da prisão. Tive a oportunidade de aprender a dançar, enquanto meu irmão Woody tocava saxofone”. Jeanne recordou ainda que ao chegar  a prisão perguntou a sua mãe qual o crime que havia cometido: “Seu crime é ser filha de japoneses”, explicou-lhe a mãe.  Jeanne nasceu na Califórnia, estudou jornalismo em San José, e sociologia na Sourbone, em Paris, e nos últimos anos têm se dedicado a produção do festival de cinema Pacific Rim Film Festival, realizado anualmente em Santa Cruz. Jeanne Houston está finalizando seu novo romance “Fire Horse Woman”, que será publicado em 2003.  Quando estive com Jeanne,  produzi fotos suas para serem utilizadas na capa deste livro. No final do nosso encontro presentei a  autora de “Farewel to Manzanar”  com uma fotografia de paisagem clicada nos campos de Bagé.  Ao ver a imagem de uma árvore com os galhos secos, Jeanne comentou: “ Esta árvore é a imagem de minha família lutando  para sobreviver no deserto de Manzanar”

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SEXTA-FEIRA, OUTUBRO 12, 2012

Escrevi esta crônica no final de 2002. Neste ano estava morando com minha família em  Santa Cruz, Califórnia. A convite do jornal Correio do Sul,  eu enviava toda semana um texto crônica sobre a vida na Califórnia.  Selecionei esta sobre meu encontro com Bob Ficth  para postar aqui no blog.

Bob Ficth começou a atuar em movimentos ligados aos Direitos Civis quando mudou-se para Berkley, Califórnia, no início dos anos 50. Foi lá que pela primeira vez teve contato com a música folk, o que abriu seus olhos para um mundo mais humanista. Mas foi no Estado do Alabama, e após ter lido o livro “Fire Next Time”, contando a história do Harlem, o bairro negro de Nova York, que ele começou  a trabalhar como fotojornalista de organizações ligadas ao movimento pelos Direitos Civis. Como fotógrafo do Souther Christian Leadership Conference conheceu o Dr. Martin Luther King Jr., com quem viajou pelos estados sulistas do Alabama, Mississipi e Georgia, documentando a luta dos negros pela igualdade de direitos aos brancos.  Bob Ficth tournou-se fotógrafo oficial de Marting Luther King, e através da convivência diária, tornou-se seu amigo. Sua esposa, que atuava no mesmo movimento, foi secretária particular do Dr. King.  Esta semana estive com Bob Ficth (63), na sede do Resource Center For Non-Violence, organização não governamental que atua em prol da paz.  Logo que abriu a porta do seu escritório, Bob foi logo avisando: “George Bush está dando muito trabalho aos pacifistas, e por esta razão minha agenda está sobrecarregada nas últimas semanas”. Não só nas últimas semanas sua agenda está sobre carregada. Nos últimos quarenta anos, além de fotografar movimentos sociais, ele vem proferindo palestras, organizando encontros em comunidades, ensinando e coletando canções e cantando em corais de igrejas. Ele diz que seu maior prazer no entanto, é cantar música folk em pequenos grupos. Nos inquietos anos 60 e início dos anos 70, apresentou-se com a cantora Joan Baez, e fotografou para  a União dos  Trabalhadores na Agricultura, ao lado do famoso líder sindical Cézar Chavez. Com um currículo invejável em fotojornalismo, e depois de ter publicado boa parte de suas fotos no livro “My Eyes Have Seen”, Bob não se considera fotógrafo, mas um colecionador de histórias. Realmente Bob Ficth é um sujeito que acumulou em sua vida muitas histórias e poucos dólares, e por isso mesmo tem muito o que contar e ensinar.  Revelou que sua agenda está ocupada porque esta dedicando parte do meu tempo a ensinar os americanos a barrarem o presidente Bush a fazer mais guerras.  Bob contou que teve várias visões e sonhos com Martinh Luther King, após seu assassinato, o qual ele, Bob, presenciou. Nos sonhos, “Doc”(como ele chamava o amigo Dr. King) aparecia e dizia “Continua o trabalho, Bob”. Ele continua ainda hoje a construir caminhos que levem a realizar seus sonhos por uma sociedade mais justa. Com um sorriso tranquilo afirmou “Passei minha vida trabalhando ao lado de homens e mulheres que realizaram sonhos impossíveis”.  E concluiu dizendo: “A música folk sempre me ajudou a manter a alegria, o bom humor e a esperança  na vida”. Mesmo com a genda lotada de compromissos, Bob aceitou o convite para jantar em minha casa, e pediu para comer vatapá, o que eu lhe adverti: “Feito por um gaúcho, o vatapá será a prova definitiva para manter tua alegria, bom humor e esperança na vida”.

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QUINTA-FEIRA, OUTUBRO 11, 2012

Ainda o pop gaúcho. Foram estas  três imagens acima que produzi em 2012 para artistas do pop rock. Primeiro foi a foto do Humberto, produzida em Gramado, a pedido dele,  para a capa do seu novo livro Nas Linhas do Horizonte. Depois foi a vez da Vaness. Sugeri a ela que a sessão fosse realizada dentro de um prédio, onde agente teria um cenário de amplidão, vazio e construção.  A Vaness topou a parada e lá fomos nós. Acho que ela se saiu muito bem. Apesar de novata, Vaness é cancheira, e tem um grande talento para coisa. Acredito muito na carreira dela: tem voz maravilhosa, postura no palco, reúne todas as qualidades.  Depois veio a foto do Nei. Já havia conversado com ele sobre a capa do novo CD Um Cara Comum. As idéias evoluíram desde o início até chegarmos a sessão que deu origem a capa. Com esta, já contabilizo sete fotos de capa de CD/DVD do Nei. É muito bom fazer trabalhos como estes, é muito bom trocar experiências, encontrar amigos, acompanhar a trajetória de artistas tão talentosos, com trabalhos sólidos.

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SABADO, SETEMBRO 29, 2012

O texto a seguir foi publicado no livro "100 Retratos Brasileiros - Apaixonados por Carro", lançado em 2000. Escrito por Ruy Castro, o texto foi produzido especialmente para abertura deste livro.  Achei que deveria publica-lo  no blog, e assim,  colocar ao alcance de todos, e especialmente daqueles que não tiveram contato com o livro.

O Palco dos Sonhos   ( escrito por Ruy Castro)

Um dia, em 1903, o grande jornalista e tribuno José do Patrocínio, meio sem ter o que fazer no Rio de Janeiro, deu um pulo a Paris. Na volta, trouxe um carro.

Foi o primeiro automóvel no Rio uma furreca preta a vapor, que soltava rolos de fumaça  e os traques mais explosivos e constrangedores. Desembaraçado o carro no cais do porto, Patrocínio girou a manivela e entrou nele, de quepe e óculos e guarda-pó, sob aplausos e apupos da multidão.  À custa de vários desmaios e mortes do motor, atravessou a Rua Primeiro de Março a 10 km por hora e conseguiu levar seu carro até usa casa na Tijuca. Dias depois, convidou seu maior amigo, o poeta Olavo Billac, a dar uma volta. E Billac, peralta como ele só, também quis dirigir a geringonça.

O próprio Patrocínio mal sabia fazer o carro andar em linha reta, mas achava-se com ciência para instruir Billac.  Os dois passaram um por cima do outro no assento e trocaram de lugar. Patrocínio mostrou-lhe como dar a partida e Bilac, sem controle dos pés e das mão, pisou na tábua até o fundo, com o ímpeto de quem esmaga uma lacraia. O carro soltou dois ou três puns ribombantes, disparou em zigue-zague pela até então pacata aleia tijucana e, 100 metros adiante, achatou-se contra a única árvore da rua. Por milagre, nenhum dos dois se machucou e só o carro levou a breca.

Se Patrocínio aborreceu-se com Billac por este lhe ter escangalhado o carro, não passou recibo. Quanto a Billac, exibindo um galo na testa, adorou acrescentar o caso à sua mitologia particular. Vivia contando-o com minúcias aos amigos  na confeitaria Colombo. Na sua versão, a árvore que transformara o carro numa sanfona brotara de repente do chão, germinada  num átomo por Zeus, para impedir que ele, o Mercúrio do volante, vencesse os deuses da velocidade. Mas, dizia Billac, os deuses estavam com os dias contados: os automóveis eram os Pégasos modernos e,  um dia, seria possível a qualquer ir ao Olimpo de carro. E, quando isso acontecesse, todos se lembrariam: o primeiro acidente automobilístico no Brasil for a provocado por um poeta. E pelo poeta do “Ora (direis), ouvir estrelas”.

Billac foi profético, porque  quase 100 anos depois, ainda nos lembramos de sua façanha. Bem, não sou poeta, mas ninguém mais autorizado para escrever a apresentação deste belo livro – porque, como Billac, também não sei dirigir. Ele, pelo menos, tentou. Eu, nem isso.  Sou um dos poucos brasileiros acima dos 12 anos que nunca (eu disse nunca) pegaram um volante ou se sentaram no lugar do motorista.  Em consequência, também nunca girei uma ignição, pisei a embreagem ou passei de marcha. Da mesma forma, jamais, nem de brincadeira, disputei um pega, fiz curvas em duas rodas ou tirei finos em bebuns. Tenho passado uma vida privado desses prazeres que fazem de 99% da humanidade.

Por outro lado, isso me tem poupado também de uma série de aborrecimentos. Por exemplo: nunca perdi tempo procurando vagas para estacionar, nunca tive de me esfacelar em manobras e nunca me irritei por ter de andar em primeira e segunda em engarrafamentos. Igualmente, nunca fui multado, nunca tive o carro rebocado e muito menos roubado. Idem, Idem, nunca tive de emplacar um carro, nem mandar vistoriá-lo ou pagar um negócio chamado IPVA. Sei onde fica os Detran de várias cidades, mas apenas porque os motoristas de taxi adoram apontá-los para mim como se fossem a principal atração turística local.

Apesar disso, minha relação com o automóvel (ainda se  de chama automóvel?) está longe de ser zero. Ao contrario, há décadas vejo a vida passear lindamente pela janela do copiloto. Sem a responsabilidade da direção, posso me concentrar  na paisagem, de preferência feminina, pensar na morte da bezerra ou apenas zerar o Q.I. não pensando em absolutamente nada. Às vezes, numa simples corrida de taxi, meu Q.I. chega a profundezas tão abissais que o motorista tem de me despertar da catatonia quando chegamos ao destino.

Mas, até pelo contraste, posso entender a relação de amor entre o brasileiro e seu automóvel. Seja este qual for: banheira, fusca, fordeco, bugre, caminhão,  em suas infinitas variações de modelo, marca, cor, ano de fabricação ou tantos cavalos e cilindradas.

Para o brasileiro, o carro é o cenário de um sonho. Naquele palco, ele é o diretor, produtor, roteirista,  fotografo e protagonista de seus ideais e fantasias. O filme que passa em sua cabeça, enquanto seus olhos permanecem atentos a placas e sinais, não pode ser reproduzido em nenhuma tela de cinema (tem até trilha sonora, saindo do toca-fitas). E, neste filme sobre rodas, ele pode ser o herói, o galã, o vilão, o que quiser tudo em imaginação. Para o brasileiro, como queria Billac, o carro é o veículo para o Olimpo. Ou, talvez, o próprio Olimpo.

Ah, sim, há também quem use o carro para transportar-se materialmente de um ponto X a um ponto Y. Mas os que fazem isso estão reduzindo o carro a uma reles função utilitária, fora dos territórios do sonho. Por isso, eles não estão neste livro. Ainda não aprenderam que, quando se entra num carro, o importante não é chegar, mas ir. Em suma, ouvir estrelas.

 

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SEGUNDA-FEIRA, AGOSTO 20, 2012

 

Durante as últimas semanas produzi os retratos de personalidades que serão homenageadas em livro, pelo Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade - PGQP. O livro, que tem a coordenação executiva do jornalista Marcello Beltrand, textos de Luis Augusto Fischer,design gráfico de Manuel Petry/Capella Design,e curadoria de José Paulo Martins, se chamará "Vidas de Qualidade - Trajetória de Sucesso". O lançamento está previsto para o próximo mês de outubro, quando o PGQP completará 20 anos de atividade no RS sob a competente direção de Luiz Hildebrando Pierry. Entre outros homenageados estão Nelson Sirotsky, Luis Felipe Scolari, Paulo Brossard, Esther Grossi, Luciano Alabarse, Esther Grossi, Luis Fernando Versissimo, Diza Gonzaga, personalidades homenageadas por suas atuações em benefício da sociedade gaúcha. Foi um prazer  trabalhar com a equipe de produção, e claro, encontrar ou reencontrar pessoas tão especiais.

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QUARTA-FEIRA, JULHO 11, 2012

A história já foi postada no facebook. Mas vale a pena postar novamente aqui no blog.

No dia 20 de julho de 1969, Neil Armstrong, comandante do módulo lunar Apolo 11, se converteu no primeiro ser humano a pisar na Lua, e estas foram suas primeiras palavras no solo lunar:

"Este é um pequeno passo para o ser humano, mas um salto gigantesco para a humanidade".

Estas palavras foram transmitidas para a Terra e ouvidas por milhares de pessoas.

Justamente antes de voltar à nave, Armstrong fez um comentário enigmático: "Boa Sorte, Sr.Gorsky."

Muita gente na NASA pensou que teria sido um comentário sobre algum astronauta soviético. No entanto, depois de checado, verificaram que não havia nenhum Gorsky no programa espacial russo ou americano.   Através dos anos, muita gente perguntou-lhe sobre o significado daquela frase sobre Gorsky, e ele sempre respondia com um sorriso.

Em 5 de julho de 1995, Armstrong se encontrava na Baia de Tampa, respondendo perguntas depois de uma conferência, quando um repórter lembrou-lhe sobre a frase que ele havia pronunciado 26 anos atrás. Desta vez, finalmente Armstrong aceitou responder. O Sr.Gorsky havia morrido e agora Armstrong sentia que podia esclarecer a dúvida.

É o seguinte:

Em 1938, sendo ainda criança em uma pequena cidade do meio oeste americano, Neil estava jogando baseball com um amigo no pátio da sua casa. A bola voou longe e foi parar no jardim ao lado, perto de uma janela da casa vizinha. Seus vizinhos eram a senhora e o senhor Gorsky.

Quando Neil agachou-se para pegar a bola, escutou que a senhora Gorsky gritava para o senhor Gorsky:

"O quê??? Sexo anal? Você quer sexo anal? Sabe quando você vai comer a minha bunda? Só no dia que o homem caminhar na lua!".

Por isto, o astronauta Armstrong logo após caminhar sobre o solo lunar mandou o recado ao senhor Gorsky direto da Lua:

"Good Luck, Mr. Gorsky"

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QUARTA-FEIRA, JUNHO 20, 2012

Provávelmente estas foram as primeiras fotos de Fernanda Lima, publicadas em mídia nacional. Ou pelo menos, a primeira sessão de fotos como modelo "profissional". Estas imagens fiz para matéria publicada na revista Veja, em 1992. Acredito que a Fernanda deveria ter 14 anos, nesta época. Não lembro bem a pauta, mas se tratando de Fernanda Lima, deveria ser sobre a sua irradiante beleza. Lembro bem do trabalho, e da sua desenvoltura frente as lentes. Pra uma guria iniciante, ela tirou de letra. Mesmo com a mãe por perto, rondando, ela se mostrou à vontade para fotografar.

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SABADO, JUNHO 2, 2012


 

As Capas de Discos

Ao longo dos anos, produzi fotografias para capas de discos (+ de 25) de vários artistas gaúchos. Muitos destes discos não tenho mais no meu arquivo. Outros, ainda guardo a edição original, em Lp.  A lista completa dos artistas que fotografei está aqui:

-  Engenheiros do Hawaii, Os Eles, Rock Grande do Sul (coletânea), Rio Grande do Rock (coletânea), TNT, Defalla, Nei Van Sória, Anne Perec, Astaroth, Bandaliera, Papas da Língua, Pouca Vogal, Pery Souza, Isabela Fogaça, Off The Wall,  Sérgio Rojas, Cidadão Quem, e Cascavelletes.

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QUARTA-FEIRA, MAIO 23, 2012

Ops! Este é o primeiro post do novo blog. Então, vou começar pelas novidades. E as novidades são...o próprio site, agora renovado. E o blog.

O site foi desenhado pela equipe da Capella Design, que criou um sistema de fácil navegação, com poucos conteúdos, e (muito) pouca frescura. O novo site veio para substituir o antigo, que estava congelado há uns cinco anos, pelo menos.

O que mudou?

Mudou o design, a estrutura, o endereço, e o propósito.

O objetivo principal deste site é mostrar o meu trabalho fotográfico. Parte dele está localizado no link Galerias. Também vou disponibilizar imagens do meu arquivo para comercialização, escambo, troca, ou a melhor oferta. Confere o link Fine Art e veja o procedimento para adquirir sua cópia fotográfica, e como ela será impressa.

Um fotógrafo tem que buscar meios mostrar suas fotografias, tirar da gaveta velhos prints e expor. Afinal, as fotografias foram feitas para serem publicadas, expostas. O destino de uma imagem é ser publicada. Além das fotografias, tem os livros. Vou falar sobre eles e sobre outras atividades que desenvolvo.

Cá entre nós, vou fazer um pouco de marketing profissional, sem exageros. Vou tentar! Ah, e o blog? Vou manter atualizado, e nele vou comentar sobre Fotografia, as minhas e as dos outros. E vou falar sobre meus projetos. Ah, vou dar palpites sobre assuntos que não entendo nada, e sobre assuntos que tento entender alguma coisa.

Mas vou logo avisando: este é um site de fotógrafo. E por isto, vou escrever como fotógrafo. Sabe porque? Porque vejo o mundo através da minha lente, e escrevo usando meus filtros. Sempre do meu ângulo. A fotografia me ensinou que não é necessário sair em busca de cenas extraordinárias para fotografar, mas encontrar um modo próprio de ver. O mais fascinante na vida de um fotógrafo é ver com seus próprios olhos. Bem vindos ao novo site, leiam o blog e deixem sua opinião.

Abraço.

Eurico Salis

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