domingo, janeiro 12, 2014

O ano era 1976. Cláudio e Roberto Almeida estavam envolvidos na criação do jornal O Toque.  Marcello Beltrand e eu fomos convidados a participar do projeto. Sugerimos chamar o Cyro Martins para ajudar na redação, e o Walmore Not para escrever crônicas, eventualmente. O Pedro Wayne já estava no time. A redação do jornal ficava ali na Avenida Sete, (fundos) na  garagem cedida pelo doutor Rubem Almeida. Nós tínhamos então 17 anos, exceto o Pedro, nosso redator senior.  Entre as minhas atribuições constava escrever – bem ou mal, críticas musicais, o que se resumia em comentar lançamentos de discos. Mantive contato com as gravadoras, e elas entregavam, quinzenalmente, pacotes com todas as novidades do mercado de discos. Num destes pacotes veio o álbum Songs In The key of Life, de Stevie Wonder. Um dos discos mais importantes da minha vida em 1976, e em todos os anos seguintes. Songs in the Key of Life foi um álbum revolucionário, precursor de muitos estilos. Ganhou o prêmio máximo da industria da música, o Grammy Award de melhor disco do ano. Stevie Wonder, que andava de saco cheio da política externa do governo americano, havia ido viver em Ghana, país africano muito pobre. Lá, desenvolveu um trabalho assistencial com crianças portadoras de deficiência física. O que serviu de inspiração para o cantor e compositor produzir seu melhor disco, fechando assim, um ciclo virtuoso em sua carreira. Várias músicas deste álbum duplo chegaram ao top das paradas no mundo todo, como “Isn’t She Lovely”, “As”, “I Wish”, “Ngiculela - És una Historia”. O sucesso foi tamanho que ainda hoje o disco figura entre os 100 álbuns mais importantes da história, segundo a revista Bilboard.  O jornal O Toque teve vida curta, era totalmente produzido em Bagé, e impresso em Porto Alegre. Chegou a figurar na lista dos melhores da imprensa nanica do Brasil, ao lado de O Pasquim, Movimento, e Coojornal. Jornais da imprensa nanica eram todos contra a ditadura militar, da primeira a última página. O Toque não fugiu a regra. Tudo era improvisado na redação. Para escrever, tive que pedir emprestado ao doutor Rubens Audino sua máquina Olivetti, novinha em folha. Sorte a dele que o jornal durou poucos meses, e a máquina foi devolvida intacta. Cláudio Almeida era o editor do jornal, ao mesmo tempo fazia traduções de longas entrevistas com intelectuais, de Bob Dylan a Sartre, que eram publicadas na Rolling Stone americana, e depois eram (re) publicadas no Toque; Pedro escrevia sobre literatura;  Roberto criava cartuns; Marcello e Ciro escreviam de tudo um pouco. Passávamos o tempo discutindo novas pautas, imaginando matérias bombásticas as quais nunca foram publicadas, e contando piadas...muitas piadas. Não havia internet, nem email, nem rede social, mas compartilhamos  momentos inesquecíveis, na naquela redação. Foi uma experiência enriquecedora na vida de todos que estiveram lá. Se não engordou nossa conta bancária, foi por um detalhe. Merecíamos ter erguido um império jornalístico tão poderoso quanto de Rupert Murdoch, ou Ted Tunner, pela clareza de intenções que nos movia a fazer o jornal.  Se não ganhos dinheiro, construímos amizades sólidas. De sobra, ganhamos histórias para serem lembradas de um tempo de criatividade,  imaginação e sonhos. Desejo que aos leitores que o novo anos traga boas aventuras como aquelas de 1976. E traga também bons discos,  como Songs in the Key of Life!

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quinta-feira, novembro 28, 2013

Agora sou orgânico. Depois que voltei para Califórnia me tornei orgânico convicto.  Como entender o que é um orgânico convicto?  Bem, e são uma categoria de consumidor alimentar tão respeitada quanto o macrobiótico e o vegetariano, só que menos chato.  O movimento orgânico tá na moda na Europa e nos Estados Unidos, já o “macrô” e “vegan” são coisas do século passado, identificados a cultura dos anos 80 e 90, e não causam mais o impacto daqueles tempos, embora ainda resistam em suas trincheiras. Cada um na sua, cada um identificado com seu tempo. Na realidade sempre tive um pé no movimento orgânico, sempre tive simpatia por orgânicos. Lembro que a primeira feira de produtos hortifrutigranjeiros que conheci foi em Bagé. A feira ficava estendida ao longo da Praça de Esportes, em frente ao Colégio Auxiliadora. Era simples e muito autêntica. Lá haviam poucas bancas cobertas por lonas amarela e os feirantes sorridentes ofereciam seus produtos aquelas senhoras que puxavam seus carrinhos abarrotados, e atrás delas vinham as domésticas. Mais tarde conheci a Feira Ecológica da Redenção, em Porto Alegre. Era mais sofisticada e frequentada por gente descolada. A Feira da Redenção existe ainda hoje, a outra, de Bagé não tive mais notícias. Aqui em Santa Cruz tenho frequentado o Farmers Market – feira de orgânicos, que acontece todos os sábados pela manhã, no estacionamento do Cabrillo College. Ali são reunidas mais de 90 bancas montadas em elegantes estruturas metálicas cobertas por plástico branco onde se encontra de tudo: verduras, frutas, legumes, leite, queijos, sucos, chás, café do Marrocos, da Colômbia, carne de gado, de galinha e peixe do Alaska, vinhos, tâmaras do oriente, e condimentos. E tem apresentações de música, jazz, blues, folk, e as vezes um senhor tocando música brasileira em sua harpa. Existem muitas feiras iguais a esta em todas as cidades da Califórnia, e todas são regidas por severas normas de fiscalização, garantindo que somente produtos sem agrotóxicos e sem antibióticos sejam ofertados. E os produtores associados cumprem o acordo. Tudo muito orgânico. Em toda baia de Monterrey, de Carmel a Santa Cruz existe uma grande quantidade de supermercados orgânicos.  E produtos orgânicos são encontrados em grande  escala em supermercados de grandes redes: Safeway, Whole Foods, Target. Mais uma  prova de que nós,  orgânicos, estamos em expansão, na crista da onda- "rip curl" e no topo das prateleiras. O resultado desta minha guinada alimentar ocorreu sob influência da “cultura orgânica”. Exemplo disto foi a troca do sanduíche de presunto e queijo que era consumido a noite,  por um saudável prato de verduras.  O sorvete que vinha sempre acompanhado de frutas foi substituído pelo iogurte. De todas as mudança alimentares sem dúvida a mais radical foi a troca da Coca-Cola normal com adição de açúcar pela Coca-Zero, sem açúcar. Por favor, não faça confusão com Coca Light, aquilo é um veneno.  No passado, sob infuência do João Mattos, premiado fotógrafo gaúcho, e meu assistente,  já havia tentado trocar a Cola-Cola por outra bebida, sem sucesso.  Geralmente após uma sessão de fotos, o João e eu nos dirigíamos para um  “boteco”  qualquer para beber  uma coca bem gelada, comemorar o fim da jornada de trabalho. Um belo dia destes, o João veio com essa conversa de abolir totalmente a “Coca-Cola”, virar abstêmio. A princípio aquilo me pareceu  “viadagem”, no bom sentido.  O João é casado com a Carlinha,  e atualmente sei que ele só bebe H2OH! Limão, o que no meu conceito isto é "meia viadagem".  Naquela época eu passei a beber Guaraná. Durante aquele período de abstinencia as fotos pioraram tanto que decidi logo voltar pra “Coca”,  para não comprometer o trabalho e terminar o livro que estava sendo feito. Aqui na Califórnia não tem Guaraná, nem essa H2OH, e claro,  eu não cometeria os mesmos erros do passado. Ainda mais agora que sou orgânico convicto e bebo Coca-Zero, sem açúcar.

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domingo, novembro 24, 2013

Dia destes liguei para um amigo que está no Brasil. Entre as saudações iniciais ele  perguntou como eu estava por aqui. Respondi que estava  lutando contra os descontos. Lutando para vencer as ofertas tentadoras do comércio, lutando para me conter e frear o instinto consumista. As promoções de comércio na Califórnia são tantas que nos fazem fugir delas a todo instante. É fugir ou enfrentá-las corajosamente. Isto é, lançar mão do cartão de crédito como última alternativa, como um golpe fatal, o lance final num ato de desespero e, então, acalmar os "delirious aquisitivus". É uma luta quase inglória. Pra não levar desaforo pra casa, a solução mais racional é utilizar os cupons de descontos. Nem que seja pra comprar um humilde cafezinho. Recebo diariamente cupons de descontos, os quais são enviados por e-mail.  As redes de lojas agem na calada da noite. E assim, logo de manhã, após  tomar  café, ligar o computador e abrir os e-mails me deparo com uma fila interminável de cupons a minha espera. É o que basta para acabar com o sossego matinal de qualquer um.  São cupons de  supermercados, lojas de eletrônicos, farmácias, postos de abastecimento, papelarias, imobiliárias, seguradoras, todo tipo de comércio. Há dias penso em ligar para o setor de atendimento ao cliente destas lojas e solicitar a eles que não enviem mais os cupons. Ou então que aumentem drasticamente os preços dos produtos, e assim me afastar dos maus pensamentos, me afastar dos desejos de consumo. Outra  arma do comércio é  oferecer carinhosamente o cartão de fidelidade para o cliente juntar pontos e trocar na próxima compra. Sim, sempre existirá uma próxima compra.  Para agravar a situação,  cartões de fidelidade não invalidam  cupons, pelo contrário, se somam a eles para aumentar o desconto e consagrar a angústia do cliente. O que pode se configurar num atentado aos valores mais íntimos do cliente. Uma grande confusão. Percebi que a  estratégia de marketing do comerciante é manter o cliente dentro da loja. De preferência, da sua loja. Manter o cliente sob tensão. Sim,  porque atrás de  toda compra há sempre uma tensão. Que envolve decisão, escolha. E a vida é feita de escolhas, já dizia Jean-Paul Sarte (não sei se ele incluía estas escolhas). Tem aqueles finais de semana que fico apreensivo com a proximidade da segunda feira trazer o fim de todas as promoções. Tudo não passa de um susto até  abrir meus e-mails e rever a lista de cupons e mensagens enviadas anunciando novas promoções. É como se a vida se renovasse a partir daquele momento.  Pra complicar o intrincado jogo de compra e venda,  existe a lei da devolução, o chamado “return”. Tudo que você comprar pode ser devolvido em 30 dias,  sem constrangimento ou restrições.  Resultado: as lojas criaram o departamento “Open Box”,  onde produtos devolvidos são colocados com preço muito menores, produtos que geralmente foram usados apenas em um ou dois dias. Americanos compram compulsivamente e enchem suas garagens até que num belo domingo pela manhã colocam tudo em frente de casa para vender por preço de banana. Chamam isto de “Garage Sale”, ou “Yard Sale”. Isto é outro departamento. Fiquemos apenas com os  cupons de descontos, que podem ser encontrados também em anúncios de jornais. Tudo é feito para atrair o cliente, para oferecer benefícios, para reduzir preços, e facilitar a venda. Não só produtos são ofertados, serviços também.  Aí entram serviços de internet, energia elétrica, telefonia, televisão a cabo, etc. Fiz contrato com a operadora de telefones AT&T,  adicionei ao pacote mensal outro pacote de ligações internacionais onde disponho todo mês de 1000 minutos  para ligar ao Brasil. O valor do pacote das ligações internacionais acrescentou a minha conta de telefone celular o valor de 10 dólares por mês. Pois bem, na mesma semana que fiz este contrato, recebi proposta de uma  operadora de telefonia celular  brasileira  ofertando um pacote de ligações internacionais para ligar ao Brasil  pelo equivalente a R$ 2,50 (reais) o minuto. Na oferta da AT&T 1000 minutos custam 24 pilas, já na operadora brasileira custaria a bagatela de 2400 pilas.  Por estas, meu amigo Raul Daudt, que mora no estado do Colorado diz sempre “ricos moram no Brasil”.  E  neste balaio de cupons, ofertas, descontos, agente adiciona silenciosamente a comparação entre preços praticados no Brasil e aqui nos US. Daí a consciência fica aliviada, e o cartão pesado.

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domingo, novembro 10, 2013

 

Aqui nos Estados Unidos, cada estado da federação produz legislação própria sobre vários temas. A liberação da marijuana é um deles. Estados como Washington e Colorado, por exemplo, aprovaram recentemente legislação que libera o uso da erva para todas as finalidades, dentro de suas fronteiras.  Na Califórnia,  a lei sobre este assunto envolve um amplo espectro de proposições (decretos) que basicamente discriminam o uso da marijuana para diferentes finalidades: industrial, medicinal, pesquisa, cultivo,  e ainda prevê penalidades ao usuário comum de acordo com a quatidade de marijuana confiscada com o sujeito se o mesmo for detido por agente policial.  Esta semana encontrei a doutora Deborah Malka, PhD em medicina alternativa e especialista neste tema. Fui  a sua clínica e conversei com ela para entender como funciona o tratamento medicinal a base de marijuana. Foi esclarecedor nosso encontro. Ela defende uso da marijuana como medicamento auxiliar em diversas terapias, como artrite, glaucoma, hepatite, osteoporose, etc. Segundo ela, a marijuana é indicada também para o alívio de dor em pacientes com cancer. Quando perguntei a ela se a marijuana não poderia ser a porta de entrada para drogas pesadas, como cocaína e crack, ela afirmou que é exatamente o contrario, que a experiência com seus pacientes mostra que a marijuana ajuda as pessoas a pararem com o uso de drogas pesadas. Disse a ela que no Brasil, a “maconha” é associada ao tráfico, a violência, ao  mundo do crime. Segundo doutora Malka, a marijuana é uma erva barata e por isso sem interesse para traficantes, nos Estados Unidos. Doutora Malka foi enfática em afirmar que substâncias como o álcool e tabaco são usados livremente,  provocando  malefícios maior a saúde, mortes no trânsito, agressividade, problemas familiares,etc.   Drogas químicas, como calmantes e assemlhados são vendidos livremente em farmácias ficando ao alcance de todos para uso indiscriminado.  Doutora Malka entende a marijuana como uma erva medicinal que deve ser administrada com cautela e com acompanhamento médico, ao mesmo tempo que deve haver educação do paciente para saber usar a erva em seu benefício. Disse ainda que quando trata adolescentes, recomenda sempre  a família  a monitorar o jovem durante o uso da erva,  como, alias, deveria monitorar no consumo de álcool  e medicamentos farmacêuticos, em geral. Existe, segundo ela,  um entendimento equivocado com relação aos males provocados pelo uso da marijuana, e uma forte associação da erva a um estilo de vide baseado na contestação, o qual foi consagrado nos anos 60 e 70. Segundo ela, tudo isto deve ser comprendido de outra forma para que a marijuana passe  a ter uso discriminalizado, ou seja, uso diferenciado para finalidades diversas. Na Califórnia, o uso é para consumo é parcialmente liberado, isto é, somente mediante prescrição médica o consumidor pode fazer uso legal da substancia. A doutora Malka revelou que quando seus pacientes vão a primeira consulta, devem levar exames clínicos, além da indicação do uso da erva por parte de outros médicos, de acordo com a especialidade. Desta forma ela fornece o documento legal que  dá direito ao usuário portar certa quantidade de marijuana. O documento ou prescrição médica tem prazo de validade durante 1 ano, e somente pode ser renovado pela própria médica. O documento de portabilidade da marijuana contém, além da identidicação do usuário ( ou paciente), as indicações médicas da erva, telefones para contato com a cliníca da doutora Malka e outras informações do paciente.  O assunto é complexo, as opiniões são diversas. O assunto avança no Brasil, onde ainda existe muita desinformação, preconceito e glamour envolvendo a liberação da marijuana. É  preciso que a sociedade faça um debate sério,  para que todos  possam superar velhos tabu,  e encontrar o caminho adequado. O fato é que nos Estados Unidos, 100 milhões de pessoas experimentaram marijuana nos últimos dez anos, e destes, 14 milhões são usuários atualmente, segundo dados do governo federal. Doutora Malka me disse que a marijuana pode ser consumida de diversas formas: em alimentos, em chás, sucos, saladas, e até mesmo na forma mais conhecida, o “cigarro de marijuana”. Mas esclareceu que a dose deve ser administrada de acordo com a indicação médica. Em vários países da Europa, Estados Unidos a marijuana foi liberada ou seu uso discriminalizado. Já existe pressão de setores da industria têxtil, de óleos e cosméticos na flexibilização das leis ou de nova legislação. A industria farmacêutica não deseja a liberalização pois vê na erva um  produto natural potencialmente concorrente a seus produtos químicos.  O vizinho Uruguai avança na liberação total através de nova legislação. No Brasil, o ex-presidente FHC defende a discriminalização da erva,  até mesmo como forma de diminuir o impacto sobre o tráfico, afastando os usuários de marijuana de criminosos. Qual sua opinião: liberar, discriminar ou proibir?

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quinta-feira, outubro 17, 2013

Dandah e Papiba, Capitola/CA    (c)Eurico Salis 2013

O Sambadá é um negócio doido.  Foi o primeiro show que vi, quando cheguei na Califórnia, em 2002. Voltei a assitir outro show deles, agora em 2013, na praia de Capitola. Eles atraem grande público quando se apresentem, eles mexem com a alma, e com o quadril dos americanos desajeitados durante todo o tempo que estão no palco. As vezes, fora do palco, nas aulas de capoeira. Papiba Godinho, professor de capoeira, compositor, guitarrista e criador do grupo, nasceu em Brasília, é filho de gaúchos, na infância passou parte de suas férias entre Torres e Jaguarão. Em 1991, ele cursava ecônomia em Brasília, quando resolveu ir para Nova York estudar inglês e conhecer a bolsa de valores. Chegou lá e achou tudo muito chato. Largou Nova York e os estudos em economia e se mandou de malas e berinbau pra Califórnia ajudar um amigo brasileiro nas aulas de capoeira. Em Santa Cruz, seu primeiro show  foi no restaurante Café Brasil. Era então “Papiba and Friends”, e agradou muita gente. Foi quando ele resolveu criar o Sambadá. Desde então, sua banda não parou mais de tocar na Califórnia, algumas vezes em outros estados como Nova York,  Texas, Nova Orleans, Pensilvania. Até que em 2003 ele conheceu Dandah da Hora, baiana nascida em Salvador, percussionista integrante do Ile Aiye desde os seis anos de idade, com profundo conhecimento da cultura afro. Com o Ile Aiye, Dandah se apressentou em San Francisco, durante o carnaval de 2003.  Em 2004, ela entrou para o Sambadá e agregou a banda sua perfomance de bailarina, sua voz cristalina, e sua grande espiritualidade. Ela cativa o público desde o primeiro instante em que pisa no palco, tem facilidade para cantar e para encantar os americanos, e também sabe muito bem se comunicar com o público. A presença de Dandah deu maior envergadura ao Sambadá, que é uma mistura refinada de afro, samba, jazz e rock. Tocam na banda, além de Papiba Godinho (guitarra, voz e violão) e  Dandah da Hora (voz e percussão), os músicos californianos Anne Stanfford (sax, flauta, clarinete, percussão), Gary Kehoe ( bateria e percussão), Etienne Franc (baix;  Ibou Ngom e Abel Damasceno (na percussão). Não seria exagero dizer que o grupo já conquistou a Califórnia,  alcançou maturidade musical, sabem mesclar solos de guitarra que remetem ao rock com solos de sax que remetem ao jazz. Atualmente,  eles estão se preparando para gravar novo disco. Segundo me disse Papiba esta semana, todos os músicos querem trabalhar muito na produção para colocar no novo álbum toda energia que conseguem ao vivo. Perguntei como ele define o Sambadá,  ele foi categórico em afirmar que o  “Sambadá é uma banda internacional com base brasileira”. Fiquei com esta impressão depois de ter visto novamente o show do Sambadá: mistura de ritmos com o toque inconfundível da música brasileira. E o futuro do Sambadá, perguntei, ele revelou que  pela primeira vez em 15 anos vão gravar duas músicas cantadas em inglês. Eles querem navegar em outros mares, mantendo a identidade musical.  Então lembrei a letra da música Yemanjá, gravada no álbum Salve a Bahia (2007),  que diz “…Choveu na Bahia de Monterrey…e o mar bateu mais forte. A força da onda vem de Deus…”.  O Sambadá quer ver a força de sua onda bater mais forte, agora em outras baias.

 

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domingo, outubro 6, 2013

                                     Pier de Santa Barbara,CA (c)Eurico Salis 2013

 

O que realmente está por trás do “shutdown”, a paralisação do governo federal americano, é a longa batalha que vem sendo travada entre republicanos e democratas para aprovar, ou derrubar, a reforma no sistema de saúde americano, popularmente conhecido como  Obamacare.  Com o pretexto de reprovar o orçamento federal para o próximo ano, os republicanos levaram Obama as cordas, recusando o orçamento. O orçamento não foi aprovado dentro do prazo legal, e em razão disto, serviços federais foram paralisados  até que o embróglio se resolva.  Obama acusa os republicanos de criarem uma crise desnecessária que trará consequências ruins à economia do país. Ele não é bobo,  está fazendo do limão uma limonada. A opinião pública que andava de mal com Barack, começa a se manifestar favorável ao presidente. Os Estados Unidos tem um sistema de saúde ruim,  e caro para o bolso do cidadão classe média - a maioria da população  por aqui. Esta semana, protegido por  meu  plano de saúde, que é limitado e cobre apenas emergências experimentei o gosto que recai no cidadão médio o peso do sistema de saúde.  Levei meu filho ao médico que receitou ao Bruno remédio para eliminar vermes, coisa normal que ocorre em crianças. Fui à farmácia e, para minha surpresa, as seis cápsulas receitadas custavam setecentos e trinta dólares. Absurdo total. Se você tem plano de saúde, o assunto é outro e então como plano cobre 90% do custo,   a medicação vai pesar bem menos. Não é o meu caso. Bem, liguei para uma farmácia no Canadá, onde a medicação é muito acessível. Enviei a eles a receita por email,  iria pagar sessenta dólares pela mesma medicação que aqui custavam setecentos e trinta doletas. Tudo certo? Não, tudo errado. A farmácia me avisou que o prazo para entrega da medicação na Califórnia levava em torno de cinco semanas. Ests prazo inviabilizou comprar a tal  medicação no Canadá.  Claro, existem barreiras legais para entrada de remédios, e existem artimanhas imposta pela cruel industria farmacêutica, que não dorme no ponto e fecha todos os meios  para furar o bloqueio. A solução? Trazer do Brasil, onde as seis cápsulas custam vinte reais,  e chegam em torno de dez dias. Nesta hora lembrei do esforço do governo brasileiro alguns anos atrás quando quebrou patentes e implantou o medicamento genérico no Brasil. Aqui também existe “genérico” mas eles não fazem cócegas na poderosa indústria farmacêutica. Aliás, esta mesma indústria mantém um verdadeiro bombardeio contra o governo Obama, que contraria seus interesses. Eles não estão sozinhos. As redes de televisão CNN e Fox também batem sistematicamente no Barack. Em razão da não aprovação do orçamento do governo, serviços federais foram paralisado aqui. Bill Clinton passou por esta experiência, imposta pelos republicanos. Na prática mudou pouco o dia a dia do povo americano, porque aqui a os serviços públicos são operados pelo município, ou pelo estado, em sua grande maioria.  Estão fechados parques, museus e monumentos. Brasileiros que estavam com data marcada para conhecer a Estátua da Liberdade vão ter que atirar suas fichas nas roletas de Las Vegas. Com sorte, se acertarem o vermelho 23, poderão voltar mais ricos para o Brasil.

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segunda-feira, setembro 30, 2013

Onde fica Arroyo Grande? E Santa Rosa? Você já foi a Santa Clara? Estes são alguns nomes de cidades da Califórnia. Terceiro maior estado americano em extensão, depois do Alaska e Texas, com a maior população dos USA, estimada em trinta e oito (38) milhões de residentes, segundo o senso de 2012, a Califórnia sempre ultrapassa as cifras. É o estado mais rico do país, figura como nona maior economia do mundo. Aqui estão localizadas industrias poderosas, como do cinema, em Holywood, da informática, no Vale do Silício, e no Napa Vale, a industria do vinho.   A região conta com uma vigorosa produção agrícola, e uma potente rede de universidades que atrai  alunos e professores do mundo todo. Eles transitam nas universidades UCLA, Stanford, Berkley, e outras.  A industria do turismo atrai para a Califórnia boa parte dos bilhões de dólares que entram no país todo ano. E aqui estão também cidades com nomes de origem espanhola. O  território onde é a  Califórnia, assim como os estados Nevada, Novo México, e Utah um dia pertenceu ao vizinho México, que após proclamar independência da Espanha, e devendo uma boa grana aos Estados Unidos, entregou este imenso território como parte do pagamento por empréstimos. Digamos a terra que foi “cedida” como parte do acordo celebrado pós guerra mexicana-americana. O tal acordo teve o nome de Tratado de Guadalupe Hidalgo, e foi assinado em 1848, junto com ele foi assinado também um cheque no valor de quinze milhões de dólares, como indenização pelo território reclamado pelos americanos. Antes deste embrólio, a região tinha sido colonizada por espanhóis os quais já tinham enviado para cá suas missões, já tinham construído igrejas católicas, catequisado os colonos, e batizado as cidades com nomes espanhóis.  Muitas delas, como Santa Bárbara, San Luis Obispo, ou Salinas conservam ainda hoje a arquitetura tipica da época da colonização espanhola. Os  nomes de cidades com origem espanhola são maioria no  estado, e são cidades importantes como Los Angeles, San Francisco, San Diego, Sacramento - a capital, Palo Alto, Santa Cruz, San Fernando, Carmel e Monterrey.  E existem cidades com nomes “extranhos” como Scotts Valley,  Redwood City, Palm Springs. Mas estas fazem parte da minoria. Você sabe onde fica Cerritos? Não adianta procurar no mapa entre Bagé e Lavras do Sul, porque Cerritos é uma cidade da Califórnia, tanto quanto Rancho Palo Verde, Carpinteria, La Palma…

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terça-feira, setembro 17, 2013

Fui ao DMV – Department of Motor Vehicles esta semana para renovar a licença do meu carro, o emplacamento para 2014. A renovação foi rápida e custou apenas $ 93. O DMV, Detran americano, entrega um pequeno adesivo colorido para ser colado na placa. Todo processo leva em torno de 20 minutos e o IPVA tá renovado. Mas o que me chamou atenção lá no DMV foi a promoção “The Califórnia Pet Lover’s License Plate”, a qual  permite  ao motorista usar no seu veículo uma placa personalizada com a cara de um cachorro. No caso, dois cachorros, Shilo e Angel Baby, que foram desenhados pelo ator Pierce Brosnan, outro apaixonado por cachorros. Enquanto a placa normal custa $50, a placa dos cachorros custa $98. O valor arrecadado com esta promoção gerenciada pelo The Califórnia Veterinary Medical Board, será destinada para o programa gratuito de castração de cachorros. O folder promocional do programa argumenta que milhares de cãezinhos são levados à eutanásia todo ano, como resultado da super população desses animais. Para evitar o sofrimento dos animais, será incentivada a castração de pets. Outro detalhe: o motorista pode manter e transferir a numeração original de sua placa para a nova placa, ou se desejar, criar nova sequência de números, ou letras. Pode escrever, por exemplo, o nome de seu próprio cão: “Marley”, “Lassie”, “Scooby”, “Benji”.  Não pode escrever na nova placa nada que seja considerado inapropriado. Vou voltar ao DMV na próxima semana, por outro motivo que não tem nada a ver com placa ou cachorro. O motivo é uma multa de transito que recebi, e segundo  me explicou o Sheriff a razão da multa foi eu ter cortado a frente do carro dele, sem sinalizar a mudança de faixa do meu carro e sem olhar sobre o ombro antes da manobra. Fui parado e advertido pelo Sheriff. Depois disto, me coloquei a sua disposição para fazer um  teste e comprovar que estava dirigindo sóbrio, sem álcool, sem drogas. O teste transcorreu normal, segui as orientações atento. Entre outras coisas, fechei os olhos e olhei para cima e contei, em silêncio, até trinta. Depois segui em zig zag o dedo do policial com os olhos, sem movimentar a cabeça. Na hora de ficar equilibrado em apenas uma perna, foi trágico. Depois de várias tentativas, consegui. Expliquei ao oficial  ele que  havia terminado a poucos minutos minha caminhada diária e por tal motivo estava cansado. Pelo teor de nossa conversa, pela troca de gentilezas e cavalheirismo, pelas perguntas estranhas que ele fez, e a demora na conferência dos documentos, cheguei a pensar que o Sheriff  é que poderia ter bebido alguma birita. Ao final, ele me entregou os documentos e informou que eu posso optar em pagar a multa ou ir a corte para desqualificar a multa que ele havia aplicado. Depois de tanta gentileza do oficial, descartei a possibilidade de ir a corte para tentar desqualificar sua multa. Nossa multa. Seria deselegância da minha parte com o Sheriff Harvey.

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sábado, agosto 24, 2013

 

O movimento em defesa dos Direitos Civis iniciou nos Estados Unidos no dia em que Rosa Parks, uma negra franzina e teimosa resolveu enfrentar a lei que proibia os negros sentarem nas cadeiras reservadas aos brancos em ônibus municipais. Num belo dia de dezembro de 1955, Rosa Parks deixou o trabalho mal humorada e resolveu não obedecer a ordem do motorista do ônibus em que viajava, para ceder seu lugar a um branco. Foi presa pela polícia ali mesmo. Em protesto por sua prisão a comunidade de negros e alguns branquelas da cidade de Montgomery, no estado do Alabama, começaram um boicote à companhia de transportes municipal. Como consequência, o serviço público de transporte perdeu grandes quantias em arrecadação durante um bom tempo. O episódio ficou conhecido como “Montgomery Bus Boycott”, e após 382 dias de protestos pacíficos, a Suprema Corte Federal revogou a exdrúxula lei do estado sulista do Alabama que proibia negros frequentar os mesmos locais públicos que os brancos frequentavam. Isto ocorreu em 1955, quando o movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos já havia ganhado a capa da revista Times, e havia se alastrado por todo país, contando com a adesão de gente famosa, como o pastor Martin Luther King Jr. e o senador John Kennedy Jr. Este foi o primeiro protesto contra o transporte público nos USA de que se tem notícia. Foi também um protesto contra o racismo, contra a discriminação e a arrogância que na época tomavam conta de estados sulistas, como Georgia e Carolina do Sul, estados onde a organização criminosa Klu Klux Klan tinha ordas de seguidores. Muitos membros da KKK cometeram crimes hediondos contra negros, tanto na calada da noite como em plena luz do dia. Naquela época, os negros não tinham nem sequer o direito ao voto. O ódio entre brancos e negros rendeu a Holywood filmes consagrados, como “Mississipe em Chamas” e “A Cor Púrpura”, para citar duas grandes películas consagradas. Rosa Parks nasceu no Alabama em 1913, pertencia a uma família de trabalhadores negros, cresceu sofrendo perseguições racistas. Aprendeu a lutar por seus direitos e durante toda vida foi ativista em favor dos Direitos Civis. Rosa faleceu em Detroit aos 92 anos, em 2005, deixando sua marca de coragem e resistência pacífica, dois fatores que ajudaram a mudar a história de seu país. Protestos contra o transporte público não é exclusividade do Brasil, e muito menos novidade na história das democracias modernas. Rosa Parks representou a faísca que ascendeu a chama da liberdade para os negros americanos, e os brancos que se juntaram na luta pela igualdade de cor. Diz o refrão da canção “Sister Rosa” “…thank you Miss Rosa, you are the spark. You started our freedom movement. Thank you Sister Rosa Parks…”, gravada em sua homenagem pela famosa banda de soul music The Neville Brothers, no álbum “Yelow Moon”, em 1989.

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sábado, agosto 17, 2013

Perguntei a um amigo americano o que poderia ser a causa de um levante popular aqui nos Estados Unidos, uma onda de manifestações populares como aquelas que sacudiram o Brasil, no distante mês de julho. O que poderia servir de gatilho para que a população da maior economia do planeta saísse às ruas em protesto. A resposta foi rápida: “se o governo Obama mandasse fechar todas as pizzarias do país, o povo sairia às ruas para protestar”.  Não sei se ele estava falando sério, mas o fato é que os americanos comem muita pizza. E comem tudo que represente acréscimo de calorias. Daí porque esta nação está cada vez mais gorda. O problema aqui é a obesidade, e não a fome. Um em cada três americanos que nasceram em 2000 terá diabetes tipo 2, segundo a ADA - American Diabetes Association, o tipo da doença que pode resultar em problemas renais, cegueira e outros males. A diabetes cresce principalmente entre a população afrodescendente e latina. Os gastos federais com a diabetes passaram de U$ 174 bilhões, em 2007, para U$ 245 bilhões, em 2012. A diabetes ataca a saúde pública com a mesma força que ataca a economia americana. Quem se alimenta mal, produz pouco. Este é um jargão corrente. Contra todo este mar de colesterol, existem, aqui, em Santa Cruz, uma grande quantidade de supermercados dedicados exclusivamente à venda de produtos orgânicos. O que inclui carne animal.  Os supermercados oferecem excelentes produtos, desde alimentos a remédios, perfumaria, até roupas íntimas,  produzidas com derivados de produtos orgânicos. Nas embalagens, pode-se obter informações dos componentes do produto e acho até que isso foi incorporado positivamente ao marketing de venda destes produtos. Também, aqui, várias iniciativas públicas e privadas são desenvolvidas para tentar barrar o crecimento da diabetes e a proliferação de gordinhos e gordinhas. “Passion for Produce Program” é um programa educacional realizado por uma organização não-governamental em parceria de escolas, que visa ensinar às crianças as vantages de uma boa dieta. “Mesa Verde Gardens” é outro programa educacional, dirigido a pequenos produtores e suas famílias e visa ajudar os agricultores a aumentar seus rendimentos produzindo com exelência alimentos orgânicos. Outro programa, também realizado por iniciativa privada, chama-se  “El Pajaro Community”, que nada mais é do que uma incubadora de cozinha comercial onde os interessados utilizam grandes cozinhas industriais com assessoramento de especialistas para produzir aliementação orgânica, sem agrotóxico. O Jornal Good Times, o qual circula aqui na baia de Monterrey, publicou, esta semana, uma longa matéria com o título “A Recipe for a brighter FOODTURE”, algo como “A receita para um fututo brilhante”. Um trocadilho que faz todo sentido para quem aposta nos produtos orgânicos como alimento do futuro.

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Postado por euricosalis

quarta-feira, agosto 14, 2013

Eles são muitos e estão por toda parte. Eles oferecem todo tipo de atividade para as crianças que estão em férias escolares e indispensáveis para ocupar o tempo livre dos “anjinhos”. São indispensáveis também para deixar os pais das crianças com tempo livre para cuidar de suas  atividades e, ainda, tirar uma soneca sossegada, sem barulho por perto.  Summer Camps são atividades oferecidas por colégios, instituições de ensino, academias de ginástica, igrejas, atelier de arte, etc. Geralmente, são atividades pagas, com preços que variam de acordo com o tempo da atividade desenvolvida e a estrutura oferecida à criança. Existe uma infinidade de ofertas de atividades que envolvem música, esportes, cultura, leitura, agricultura, teatro, artes, camping, etc. Toda semana são publicados anúncios publicitários dos “camps” em jornais, revistas, impressos em geral, o que facilita a seleção da atividade a qual seu filho irá participar. Meu filho Bruno tem participado em várias atividades neste verão, desde música, artes marciais e jardinagem. Nesta semana, está participando, durante todas as manhãs, em um sítio, de um curso de equitação, que envolve montaria e cuidados com cavalos. Além de ser uma oportunidade para o crescimento e a sociabilidade, é também uma oportunidade saudável para a criança estabelecer novas amizades. Summer Camp é uma atividade educacional que faz parte da cultura americana há um bom tempo. A programação de verão é extensa, não apenas para os pequenos, mas para os adultos também. Aqui, acontecem durante o verão shows gratuitos de conhecidas bandas de rock, todas as sextas-feiras à noite, em um palco montado à beira da praia, no centro da cidade. Outra programação de verão, e que ocorre durante o primeiro final de semana do mês de agosto, é o Cabrillo Festival of Contemporary Music, que reúne musica de diversas nacionalidades – Sambadá é um grupo de brasileiros e americanos que toca ritmos brasileiros e faz sucesso há mais de 15 anos. Outros estilos de música também sobem ao palco: música árabe, hawaiana, latina, rock, blues, soul, jazz,  tudo ao vivo e gratuito, em um palco montado na rua, em frente ao Civic Auditorium. E é neste auditório municipal que se apresentam orquestras e músicos contemporâneos, como Kronos Quartet, Van-Anh Vanessa, Sim Sholom e outras atrações da música instrumental. Para quem gosta de teatro, tem o consagrado Festival Shakeaspeare Santa Cruz, que faz sucesso por aqui há mais de 20 anos, e é produzido pela Universidade da Califórnia de Santa Cruz. Este ano, o festival ocorre entre os dia 23 de julho e 1º de setembro. São montados vários palcos entre as florestas de redwoods, no campus da universidade, e são ocupados, também, todos os teatros do próprio campus. Em fim, a programação cultural é extensa e teremos, ainda, atrações como Tom Jones, Willie Nelson, Madeleine Peyroux. O calendário é enorme, a agenda é variada, e esta é a combinação perfeita para enxugar seu cartão de crédito. But, it’s summer!

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sábado, julho 13, 2013
  

Santa Cruz,CA   (c)Eurico Salis 2013


Nada é perfeito na vida. Por exemplo: viver nos Estados Unidos. Estou desapontado com algumas coisas que encontrei na Califórnia, dez anos depois de ter vivido aqui, o estado mais rico e desenvolvido do país. Este desapontamento se deve ao fato de ter comido uma coxinha de galinha (ou “over coxa"- tradução do Léo Henkin) e ter encontrado no meio da carne aquele ossinho fino tipo palito. Aqui as  coxinhas já deveriam vir sem aquele osso. Pra aumentar meu descontentamento, comi um aipim que também tinha aquele fio duro parecido com raiz. Comer aipim com aquela raiz dura em plena era digital é loucura. Ora, como é que os gringos ainda produzem sobre coxas e aipim desse jeito? O bombril, ou melhor a falta de bombril no supermercado é da mesma forma decepcionante. Temos aqui  no US tudo pra limpeza de cozinha. Menos o que?  Bombril ! Para quem é acostumado a lavar  louça o Bombril faz muita falta. E  lavar louça é  uma terapia. Secar pratos são outros quinhentos, exige uma robusta secadora de pratos.  Na Califórnia você pode comprar um carro bem bacana,  eles são  muito baratos, mas pano de secar custa uma fortuna. Estava procurando  casa para alugar, e qual minha surpresa quando encontro no meio dos anúncios classificados, o anúncio de um trailer Classic 32. Ora, morar numa lata de ervilhas? Nunca! Não queo passar pela experiência de ser confundido com ervilhas! Coisa de gringo. Mas não dá pra reclamar de tudo. Aqui ainda temos o Woodies on the Wharf  que é o grande encontro de carros antigos, feitos com madeira nautica, e que serviam para transportar surfistas com suas longas  pranchas, lá pelos anos 40/50.  Este ano, o encontro reuniu no pier (wharf) em torno de 200 carros antigos, desfilaram pela orla da cidade sob um sol escaldante. Os woodies tem tudo a ver com a Califórnia, e com Santa Cruz – a capital do surf. Tão interessante quanto os carros antigos, eram os donos. E  as donas. Gente com cara dos anos 40/50. Ah, e os carros?  Station wagons de marcas conhecidas: Pontiac, Chrysler Town and Country, Plymouth, Buick Roadmaster e tantos ícones do automobilismo.  O encontro dos carros antigos aqui no pier de Santa Cruz me enviou numa Déja Vú a décadas atrás, só não foi perfeito porque não encontrei Rita Hayworth, a grande dama dos anos 50. Mas como nada é perfeito na vida…

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